O genocídio de Israel

dom, 27/07/2014 - 15:48
O mais famoso escritor israelense, Amoz Oz, chamou os extremistas judeus, autores da onda de ataques contra palestinos, de neonazistas hebreus.

A conduta monstruosa desses judeus deve ser chamada pelo que é - neonazismo – afirmou o escritor israelense.

As declarações de Oz foram divulgadas no mundo, inclusive no Brasil. São a prova da “democracia” israelense e mostra a preocupação dos setores da sociedade daquele país com o extremismo judeu crescente, afirmam os defensores de Israel.

Oz é o porta-voz dos “liberais” em Israel. O problema com eles é que nunca falam a verdade por inteiro. Às vezes, falar meias verdades é pior que mentir. 

Oz não mencionou que os neonazistas hebreus vivem nos assentamentos judaicos construídos ilegalmente nos territórios palestinos ocupados em 1967. Omitiu que foram os “liberais” trabalhistas que começaram o processo ilegal da colonização da Palestina de 1967.

Hoje na Cisjordânia e Jerusalém oriental, há mais de seiscentos assentamentos judeus, com mais de seiscentos mil colonos judeus, que lá vivem ilegalmente, violando o Direito Internacional e solapando a paz.

Ocupar território, confiscar terras e bens, cercear direito de ir e vir,  é prática nazista. Israel ocupa a Palestina, confisca terras e bens dos palestinos, demole casas, destrói plantações, realiza punições coletivas contra um povo inteiro.

Israel comete crimes contra a humanidade matando civis palestinos e mantém bloqueio criminoso contra Gaza e Cisjordânia.

Punição coletiva, racismo, total desprezo pela vida humana de outras raças, sensação de auto-superioridade, são práticas nazistas. Israel faz tudo isso e mais, mas o “liberal” Oz prefere culpar apenas os neonazistas hebreus.

Oz não menciona os crimes que Israel cometeu e comete incessantemente contra os palestinos e árabes em geral, desde a sua criação até hoje. Omite a limpeza étnica de 1948, quando mais da metade dos palestinos foram expulsos de suas casas, desapropriado de seus bens, desenraizados e se tornaram miseráveis refugiados.

Oz “esquece” de dizer das mais de 500 cidades e aldeias palestinas destruídas e convertidas em assentamentos para os colonos judeus chegados do exterior.  “Esquece” os sucessivos massacres israelenses contra os árabes, as guerras sem fim, a matança dos civis.

Oz prefere não mencionar o racismo e a ideologia nazista em que se fundamenta seu Estado e que sempre vigora em Israel.

Os neonazistas hebreus de Oz são os filhos de uma ideologia racista, exclusivista, que não convive com o outro, a quem ela prega ser inferior e de um Estado que põe em prática os crimes desse racismo.

Esses neonazistas recebem a proteção, apoio e admiração do Estado. Estão representados no parlamento, no governo e em todos os partidos políticos israelenses.

“Morte aos árabes” não é um grito de uma minoria fanática, ideia de brinquedos de crianças judias (árabe enforcado e games), nem as muitas pichações nos muros em Israel e na Palestina, mas é a política de um Estado: é o fundamento e cimento da criação e metástase de Israel sobre terras árabes.

Israel mata palestinos desde sua criação e continua matando. 

Não há apenas grupos neonazistas hebreus como afirma Oz, mas Israel, com sua ideologia de exclusividade judaica e práticas criminosas racistas, é um Estado nazista.

As seguintes declarações de celebridades, religiosos, políticos, acadêmicos, são a prova disso:

 

1º)  Religioso judeu prega o genocídio em Gaza.

Dov Lior, rabino chefe do assentamento de Kiryat Arba, justifica o extermínio dos palestinos, dizendo que o Torah dos judeus permite que, em tempos de guerra, se use de todos os meios para o extermínio do inimigo: cortar água, eletricidade, bombardeio total da área.

Lior acrescenta que o ministro da “Defesa” pode ordenar o extermínio de Gaza para garantir a segurança dos soldados.

Tais medidas estão sendo aplicadas inclusive em tempos de paz. O bloqueio contra Gaza dura vários anos e transformou o pequeno território palestino no maior campo de concentração, segundo observadores internacionais.

Lior, autor do livro “King´s Torah”, defende a matança de não judeus, inclusive crianças.

Essas colocação são freqüentes em Israel.

Muitos rabinos têm as mesmas posições racistas em relação a todos os não judeus – os goym.

Quando os religiosos de um país defendem o genocídio de outro povo como necessário à segurança de um Estado, deve ser questionado se esse Estado, que vive sobre o sacrifício de multidões, é aceitável.

 

2º) Acadêmico israelense defende o estupro das mulheres palestinas. 

O professor da Universidade Bar Ilan, Mordechai Kidar, em entrevista à radio israelense, declarou que a única maneira de impedir um suicida palestino, é saber que seriam  estupradas sua irmã e sua mãe.  Demolir a casa da família não é suficiente.

Em qualquer lugar do mundo, declarações como essa, causariam grande indignação e provocariam processo criminal contra o declarante. Em Israel, como o estupro é contra mulheres goym, a declaração é normal.

O defensor do estupro continua ensinando na mesma Universidade onde estudou Ygal Amir, assassino de Rabin e pela sua declaração, percebe-se a qualidade dos frutos de educadores com tal “humanismo”.

Essas declarações práticas estão além do nazismo, são israelenses.

Nenhum intelectual nazista defendeu o estupro como arma de guerra.

 

3º)  Deputada israelense considera crianças palestinas pequenas serpentes.

A deputada Ayelet Shakedo, do partido lar judaico, escreveu que as mães palestinas criam pequenas serpentes e que “devemos matar ambos, mães e filhos” e “destruir suas casas”.

A deputada, o parlamento e o Estado israelenses ignoram que a humanidade pagou um alto preço para se chegar a Códigos mínimos de conduta e ética, que devem ser respeitados por todos, para a convivência dos povos no espaço mundo.

O respeito pela vida humana e poupar crianças, mulheres e civis, dos horrores da guerra, é o mínimo da exigência no Direito Internacional.

Israel, com suas práticas que violam até o básico desse Direito, se colocou no campo contrário da decência e da dignidade.

O nazismo de Hitler foi derrotado e o nazismo de Israel não terá destino diverso.

 

Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino, médico intensivista

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