Simpósio “Orientalismo – 30 anos”

qua, 07/04/2010 - 14:22
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O encontro foi resultado de uma iniciativa conjunta do Instituto de Cultura Árabe e da Universidade de São Paulo, com a participação do Departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas;do Programa de Pós-Graduação Língua, Literatura e Cultura Árabe; da Associação dos Docentes e também do Centro Universitário Maria Antonia.

livroO Núcleo de Estudos Edward Said, do ICArabe – Instituto de Cultura Árabe (www.icarabe.org), celebrou os 30 anos da publicação da principal obra deste célebre intelectual, Orientalismo, com a realização de um simpósio no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, durante os dias 29, 30 e 31 de outubro de 2008. A participação foi aberta ao público e gratuita.
 
O evento debateu como as idéias de Said continuam inspirando novas apreciações e análises ao redor do mundo. Em Orientalismo, o autor demonstrou – pela primeira vez e de forma sistemática – que o que se convencionou chamar de Oriente reflete uma construção intelectual, literária e política do Ocidente, como meio deste ganhar autoridade e poder sobre o primeiro.

Como explica o diretor do Conselho Cultural e Artístico do ICArabe e coordenador deste simpósio, Francisco Miraglia: "o Instituto, cumprindo suas finalidades, teve a iniciativa de organizar este seminário, juntamente com seus parceiros, para indicar a importância do pensamento de Edward Said para a compreensão do que está ocorrendo no mundo atual. Em particular, ao longo dos três dias de evento, foi explicitada a análise rigorosa feita por Said sobre a dependência do saber erudito aos interesses políticos e econômicos hegemônicos”.

Ao demonstrar que na base do pensamento racionalista do século XIX está a criação identitária que opõe Ocidente a Oriente, a obra de Said tem instigado a própria renovação dos conceitos fundamentais das mais diversas disciplinas humanistas. Onde se percebe que o rigor e a suposta neutralidade axiológica têm sido decisivamente influenciados pelos interesses econômicos e políticos da sociedade produtora dos conceitos e métodos de trabalho que embasam essas disciplinas.

Soraya Smaili, presidente do ICArabe, diz: "Said é um intelectual universal e não apenas dos árabes. O Orientalismo e toda a sua obra evidenciam-se atuais a cada dia. Said é um exemplo de intelectual engajado e por isso tantos estudiosos brasileiros têm se reunido para discutir e debater sua obra. Neste contexto, o simpósio “Orientalismo – 30 Anos" surgiu como mais uma oportunidade para o contato com o conhecimento por ele produzido”.

Além de trazer uma rica programação e temas fundamentais para serem discutidos por membros de governo e acadêmicos das principais universidades brasileiras (veja quadro abaixo), a programação de “Orientalismo – 30 Anos" incluiu também a exibição do filme Conhecimento é o Início (Knowledge is the Beginning – Alemanha – 2006), com direção de Paul Smaczny.

O vídeo-documentário mostrou como o encontro entre o maestro e pianista judeu Daniel Barenboim e o intelectual palestino Edward Said rendeu belos frutos: a Orquestra Ocidental-Oriental de Divan – formada por músicos de 14 a 25 anos oriundos do Egito, Israel, Jordânia, Líbano, Síria e Tunísia.

“A escolha deste filme para integrar a programação de ‘Orientalismo – 30 Anos’ se dá não apenas pelo fato de Conhecimento é o Início ser um belo filme; mas – fundamentalmente – por traduzir o que era o projeto de Said”, explica Arlene Clemesha, diretora do Conselho de Relações Nacionais e Internacionais do ICArabe.

E conclui: “Conhecimento é o Início mostra o exato momento em que Said coloca em prática o seu ideal, o ideal do fim da divisão entre os povos do mundo e – neste caso específico – o fim da divisão entre árabes e judeus”.

Carlos Calil, do Departamento de Cinema da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, compôs a mesa de debate sobre o filme Conhecimento é o Início, atividade que fechou a programação do debate “Orientalismo – 30 Anos”. 

Veja a programação que ocorreu no evento:
 
Dia 29/10: Edward Said e o lugar da crítica ao orientalismo nos estudos humanistas
 

  • Renato Queiroz (Depto. de Antropologia, FFLCH-USP)
  • Gabriel Cohn (Depto. de Sociologia, FFLCH-USP)
  • Mamede Jarouche (Depto. de Letras Orientais, FFLCH-USP)
  • João Quartim de Moraes (Depto. de Filosofia, UNICAMP)
  • Coordenação: Francisco Miraglia (Inst. de Matemática e Estatística - USP e ICArabe)

 
Dia 30/10: O orientalismo e os orientes

  • Emir Sader (Lab. de Políticas Públicas, UERJ, e Secretário Executivo de CLACSO)
  • Milton Hatoum (Escritor e Prof. de Literatura)
  • Miguel Attie Filho (Depto. de Letras Orientais, FFLCH-USP)
  • Ana Maria Alfonso-Goldfarb (História da Ciência, PUC – a confirmar)
  • coordenação: Arlene E. Clemesha (Depto. Letras Orientais, FFLCH-USP, e ICArabe)

 
Dia 31/10: Projeção do filme "O Conhecimento é o Começo" (Dirigido e produzido por Paul Smaczny, 93 min). Seguido de debate com:
 

  • Carlos Calil (Escola Comunicação e Artes-USP,  Secretário Municipal de Cultura de São Paulo)
  • Silvio Band (Empresário e Produtor Teatral)
  • Jorge de Almeida (Depto. de Teoria Literária e Literatura Comparada, FFLCH-USP)
  • coordenação: Soraya Smaili (Universidade Federal de São Paulo e ICArabe) e Mohammad Habbib (Universidade de Campinas, UNICAMP e ICArabe)

Coordenação: Arlene E. Clemesha, Francisco Miraglia, Márcia Camargos
Comissão Organizadora: Arturo Hartmann Pacheco, José Farhat, Isabelle Somma, Soraya Misleh, Márcia Camargos, Natália Nahas, Safa Jubran, Michel Sleiman, Daniela Wasserstein (Festival de Cinema Judaico).

Apoio Cultural: Brasilprev e Instituto do Sono