Professores do Brasil concorrem a prêmio nos Emirados

qui, 08/02/2018 - 22:57

 

Rubens Ferronato e Diego Mahfouz Faria Lima estão entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize, patrocinado pelo primeiro ministro do país árabe. Grande vencedor será anunciado em 18 de março.

Dois educadores brasileiros estão entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize, premiação anual que é considerada o “Nobel” da educação. O paranaense Rubens Ferronato e o sul-matogrossense Diego Mahfouz Faria Lima têm presença confirmada na cerimônia de entrega do prêmio, agendada para 18 de março em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Promovido pela Varkey Fundation, organização filantrópica britânica, e patrocinado pelo primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o Global Teacher Prize ocorre desde 2014 e oferece uma gratificação de US$ 1 milhão ao grande vencedor.

Ambos foram premiados em nível nacional e agora buscam também o reconhecimento internacional. Os professores pretendem investir o dinheiro do grande prêmio oferecido pelo primeiro ministro, caso vençam, nos projetos pelos quais foram indicados ao Global Teacher Prize.

O de Ferronato é o material pedagógico Multiplano, desenvolvido pelo paranaense em 2000. A ferramenta auxilia no ensino de matemática a cegos. “É uma placa perfurada com pinos, plásticos e hastes, capaz de ensinar até 108 temas matemáticos”, explicou o professor em entrevista à ANBA.

Uma vez por semana, o professor usa a ferramenta na Escola Estadual Dom Pedro II, no bairro do Batel, em Curitiba, com alunos cegos. Com a audição e o tato, os alunos interpretam o Multiplano e absorvem o ensinamento passado. Mas a ferramenta não se limita a quem tem a visão comprometida: “Pode ser usado por deficientes físicos, deficientes mentais. O conceito é universal, é bom para todo mundo”, afirmou.

Ferronato pretende usar o prêmio para ampliar a aplicação do equipamento para mais onze línguas, além do português. “Busquei as mais faladas em todo o mundo”, disse. O passo seguinte é implantar o Multiplano em 30 países, com a meta de 3 por ano. “A ideia é ir aos mais populosos, para difundir bem o uso”, contou.

Já indicação do sul-matogrossense Faria Lima deve-se ao trabalho realizado na Escola Municipal Darcy Ribeiro, que fica em São José do Rio Preto (SP). Ele transformou uma escola com problemas de vandalismo, evasão de estudantes e até tráfico de drogas em um colégio referência na região.

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Fachada reformada da Escola Darcy Ribeiro



“Promovemos ações que visam dar voz aos alunos e torná-los protagonistas”, contou o professor à reportagem da ANBA. Faria Lima assumiu a Darcy Ribeiro em 2014 e reduziu a evasão de mais de 200 alunos para apenas 2 no primeiro ano de operação.

Para isso, criou ações como abrir a escola aos fins de semana para ensino de música clássica, um clube de astronomia e até um comitê de mediação de conflitos. “As brigas na porta da escola eram quase diárias. Com esse comitê, os próprios alunos passaram a identificar situações como conflitos, bulliyng e a convocar as partes envolvidas para o diálogo”, explicou.

Hoje com 930 alunos, a Darcy Ribeiro não pune mais os estudantes. “Tiramos o caráter punitivo da escola. As coisas são resolvidas no diálogo, mudamos o olhar dos estudantes e dos funcionários”, disse o professor. Segundo ele, antes de assumir a direção a escola tinha uma média de 60 advertências e suspensões de alunos por semana. Agora, não suspende mais ninguém.

Caso seja premiado, Faria Lima investirá o dinheiro na criação de uma ONG para ampliar o alcance de seus projetos. Antes da viagem para Dubai, ele e Ferronato aguardam a divulgação do Top 10 do Global Teacher Prize, marcada para fevereiro.

No ano passado, o brasileiro Wemerson Nogueira chegou entre os dez principais finalistas com o seu projeto social “Jovens Cientistas: Projetando um Futuro Novo”, no Espírito Santo. A grande vencedora foi a canadense Maggie MacDonnell.

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