Colecionador busca ampliar e divulgar acervo de discos árabes no Brasil

ter, 11/07/2017 - 14:36

Por Arthur Gandini

O engenheiro agrônomo e morador de Uberlândia (MG) Henrique Tabchoury, de 46 anos, tem uma missão: ampliar seu acervo de mais de 2 mil discos árabes gravados no Brasil e divulgar a pesquisa relacionada aos artistas. Descendente de libaneses por parte de pai, ele planeja colocar um site no ar referente ao trabalho e também lançar um livro.

Sua busca começou quando ele herdou de seu pai Jamil Abrão Tabchoury (libanês que veio de Trípoli para o Brasil em 1927) uma discografia árabe gravada no país no século passado por imigrantes que vieram para o Brasil ou por estrangeiros que estavam apenas de passagem. Muitos discos haviam se quebrado ou extraviado ao longo dos anos. Tabchoury fez compras pela internet e de colecionadores e conseguiu recuperar 80% do acervo de seu pai.

acervo

“Existiu e existe uma riqueza cultural de um valor inestimável. No século passado, vieram imigrantes para cá com uma mão na frente e outra atrás e conseguiram produzir cultura aqui no Brasil. Muito dessa cultura é jogada fora, muitas vezes. O patrício falece e a família não dá o devido valor”, afirma o pesquisador, que agora faz viagens pelo país e segue pistas pela internet e nas redes sociais em busca de novos discos e informações sobre os artistas.

A discografia

Coleção

Tabchoury possui em seu acervo discos das rotações 33, 45 e 78 rpm e de artistas como Um Kalthum, Mohammad Abdel Wahab, Sabah, Fairuz, Abdel Halim Hafez, Wadih Al Safi e Farid Al Atarash. O pesquisador consegue, por meio da numeração dos lançamentos feitos, descartar discos da pesquisa que não são árabes, o que torna a busca menos difícil. O engenheiro sabe que os lançamentos foram feitos pelos selos das gravadoras Continental, Baida, Columbia, RCA, Victor, Mocambo, Star, Sinter, Art Phone, Casa dos Três Irmãos, Gravações Especiais e Ariphone. A sua maior fonte de pesquisa consiste em exemplares da revista “O Oriente” deixadas por seu pai.

Tabchoury também tem entrado em contato com clubes árabes de diversas regiões do Brasil. Ele procura além dos discos, exemplares que não possui da revista para obter mais informações sobre artistas como Wadih Al Safi, Hanan (Janete Hayek), Nuhad (Bachaalani), Khalil El Murr, Camille Kraidy, Antoine Kraidy, Miguel Mackhul El Khoury, Romeu Feres e Tânios Baakline. Outros, entretanto, são praticamente desconhecidos para o pesquisador, como Chadia Nagib, Jouad Mauad, Toufik Dahdouh, Bahie Allabi, Leila Dunne, Lutfalla Massouh e Wafaa Damaa.

“Só Deus sabe onde vamos chegar (com a pesquisa). É uma luta contra o tempo, pois os elos vão se perdendo. Você conversar com o filho, há muito mais riqueza do que conversar com o neto ou o bisneto (do autor do disco)”, explica.

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Para o pesquisador, a importância de realizar o trabalho é preservar a cultura árabe nos discos gravados no Brasil, antes que ela se perca, e dar o verdadeiro valor histórico a esses artistas. “São heróis que conseguiram gravar aqui no Brasil no século passado, com as limitações que se tinha. Já havia energia elétrica, mas houve discos que ainda foram gravados de forma mecânica em megafones de corda”, relata.

Quem desejar entrar em contato com o pesquisador para oferecer mais informações ou ajuda no trabalho, pode enviar um e-mail para: htabchoury@gmail.com

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