Nota em defesa da vida e contra a violência na Faixa de Gaza

qui, 17/05/2018 - 23:51
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O Instituto da Cultura Árabe, entidade laica, apartidária e sem fins lucrativos, vem a público condenar a prática de violência sistemática pelo exército israelense contra manifestantes árabes palestinos desarmados, em Gaza, ao longo das últimas semanas. São pelo menos 116 vítimas fatais conhecidas desde março, além de um número incontável de feridos, incluindo milhares de mulheres, crianças, idosos e deficientes físicos.

Ao contrário do que alega o governo israelense, as manifestações tiveram e têm um caráter completamente pacífico. Se as manifestações organizadas por grupos da sociedade civil palestina ganharam amplitude após a decisão do presidente Donald Trump de transferir a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém,  anunciada em abril, o seu eixo condutor é a luta pelo direito de retorno dos palestinos que foram expulsos de suas terras de origem, como consequência da criação do Estado de Israel, em 1948.

O assassinato de civis desarmados que exercem o direito de se manifestar livremente é uma grave violação dos direitos individuais e coletivos daquela população que se encontra sob ocupação há sete décadas, a mais longeva da história contemporânea. As forças ocupantes desrespeitam diversos dispositivos das Convenções de Genebra, que condenam os assassinatos e os maus-tratos de populações civis sob domínio militar, e resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU).

No que concerne ao estatuto de Jerusalém, a lei internacional também foi vilipendiada: a decisão de transferir a embaixada norte-americana, assumida unilateralmente por Trump - e criticada até mesmo por tradicionais aliados dos Estados Unidos, como o governo britânico - ignora as diversas resoluções da ONU que tratam do regime de Jerusalém, e que foram reiteradas recentemente por 128 países da comunidade internacional em Assembleia Geral, realizada em dezembro de 2017.

Urgimos o fim imediato da violência, o respeito às leis internacionais e a retomada das conversações para que se encontrem mecanismos que levem os envolvidos a uma paz justa. Somamo-nos ao chamado da sociedade civil palestina pela garantia de direitos humanos fundamentais e por uma Palestina livre.

                                               

INSTITUTO DA CULTURA ÁRABE