Nádia Sahão, 50 anos divulgando a culinária libanesa

qui, 16/06/2016 - 00:22
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A culinária árabe tem cada vez mais se difundido no Brasil com a última onda de imigração para o país. Os libaneses e sua cozinha são parte importante dela, desde que começaram a vir para cá no final do século XIX, após Dom Pedro II aproximar Brasil e Líbano. Essa trajetória resultou na boa reprodução da culinária libanesa no país, como afirma a filha de libaneses Nádia Sahão, 88, que há mais de 50 anos vem ajudando a difundir os conhecimentos gastronômicos de sua cultura.

“Eles estão reproduzindo muito bem em restaurantes. Nas redes de comida rápida, o paladar é aquele mesmo da esfiha. No Estado de São Paulo, a comida árabe está bem disseminada, há muitos restaurantes. No Paraná e em Curitiba, também há restaurantes que fazem a comida libanesa como se deve. Aqui em Londrina também tem”, conta.

Filha de libanesa de Beirute (capital do Líbano) e esposa de libanês da cidade de Hasbaya (sul do país), a londrinense começou a cozinhar quando se casou. “Passei a ser dona de casa em 1950, era assim que acontecia naquele tempo.” 

Em agosto do ano passado, Nádia decidiu divulgar as receitas conhecidas por sua família no  livro “Receitas da Cozinha Libanesa”, publicado pela editora Autores Paranaenses.  “A ideia foi deixar as receitas para quem quiser as reproduzir”, conta ela, que tem netas que seguem seus ensinamentos. “Não vou falar que estou envaidecida (com a publicação) porque mais gente faz (pratos libaneses). No Líbano, cada um faz do seu jeito em sua região, tem a sua própria horta. Tentei colocar as receitas de um jeito fácil no livro”, disse.

Homus tahine (pasta de grão de bico), fatuch (salada com pão sírio) e kafta (espécie de almôndegas) estão entre as receitas ensinadas, assim como pratos à base de carne de cordeiro e doces como ataif e mahmou. Nádia conta que costuma fazer kibe cru e esfirra nos fins de semana para a família (“aquele coisa de libanês”, brinca) e pratos à base de berinjela durante a semana. As esfihas são tanto o que ela mais gosta de preparar como degustar. “Até agora recebo elogios, gente que fez os pratos e colocou na internet e deu certo”, conta ela sobre a repercussão da obra.

O Instituto da Cultura Árabe publicará receitas de Nádia Sahão durante as próximas semanas. A primeira você confere aqui: esfiha de carne. Veja as dicas de Nádia e bom apetite!

 

Dicas

- Se formar líquido, peneire o recheio

- Acrescentar ao recheio uma colher de chá de sumagre melhora o sabor

- Coloque a massa e recheie

(se for fechada recheie antes e feche em triângulos).

- Asse em forno pré-aquecido bem quente

 

Esfiha de Carne

Massa para 24 esfihas

4 xícaras de chá de farinha de trigo

10g de fermento

¾ de xícaras de café de óleo

1 colher de chá de açúcar

1 copo de leite ou água

1 colher de chá de sal

Fazer 24 bolinhas

Abrir bem fininhas

 

Recheio

2 cebolas grandes picadas

½ quilo de patinho moído com 100g de gordura

1 colher de café de canela

1 colher de café de pimenta síria

1 colher de café de pimenta do reino

1 colher de sopa de óleo

Suco de um limão

2 tomates sem semente picados

1 colher de chá de sal

 

Modo de fazer:

- Em uma tigela, coloque os ingredientes e misture até obter uma massa firme e homogênea.

- Faça uma cavidade no centro da massa e coloque o fermento já desmanchado no leite.

- Manuseie até que todos os ingredientes fiquem bem misturados.

- Deixe a massa descansar até crescer.

- Dividir em bolinhas do tamanho de um ovo.

- Coloque em uma tábua para crescer.

- Uma vez crescida, untar a assadeira com óleo e ir abrindo a massa de 8 a 10 centímetros de diâmetro.

- Espalhar o recheio sobre elas.

- Levar ao forno. O forno deve estar bem quente.