Diretora do ICArabe participa em São Paulo de debate sobre a Palestina

sex, 01/12/2017 - 14:14
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Encontro marcou o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino

Por Sueli Melo

Nesta quarta, 29 de novembro, a diretora de Comunicação e Imprensa do ICArabe, Soraya Misleh, participou de um evento em homenagem ao Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino. Promovido pelo bar e espaço cultural Al Janiah e a Frente em Defesa do Povo Palestino, o encontro contou com a exibição do filme “Para onde voam os pássaros”, que integrou a 9ª Mostra Mundo Árabe de Cinema do ICArabe em 2014 e foi cedido pelo Instituto para essa sessão. Após a exibição, ocorreu um debate com a participação do professor de Relações Internacionais da PUC, Reginaldo Nasser, e dos palestinos Rawa Sagheer e Isam Ahmad Issa.

“São 70 anos da recomendação da Assembleia Geral das Nações Unidas – ONU de partilha da Palestina sem consulta aos habitantes nativos, um sinal verde para a limpeza étnica do povo palestino”, enfatizou Soraya Misleh ao abrir a discussão. Ela afirmou que atualmente existem mais de 5 milhões de refugiados só mundo árabe. “São milhares de pessoas sob uma situação institucionalizada de apartheid, de ocupação e colonização constantes. São mais de 6 mil presos políticos e a sociedade palestina permanece inteiramente fragmentada. As nossas famílias estão divididas pelo mundo e todos os refugiados à espera do retorno, inclusive os que vivem no Brasil”, disse ela, que é palestina-brasileira.

Al Janiah

Para Soraya, a atividade para marcar a data é simbólica e muito significativa. “Este é um dia para chamarmos ‘a solidariedade internacional ativa’. Chamar todos para conhecerem um pouco mais da questão palestina. É isso que buscamos, ao lado da resistência heroica do povo palestino”.

Ao final, ela enfatizou a importância de seguir contando a memória dos palestinos que foram expulsos de suas terras. “Isso é parte da nossa resistência. Cada uma dessas histórias que é contada, cada filme feito, é parte da nossa resistência e do nosso chamado à solidariedade internacional, isso mantém viva a causa palestina. É a resistência heroica em cada ação, sob todas as formas.”

Soraya é autora do livro “Al Nakba – um estudo sobre a catástrofe palestina”. A publicação traz contextualização histórica sobre os acontecimentos que culminaram na Nakba (catástrofe palestina que significou a criação do Estado de Israel em 15 de maio de 1948), debruçando-se sobre o processo de expulsão e destruição da aldeia de Qaqun naquele ano, onde seu pai nasceu.

Causa popular

O professor de Relações Internacionais da PUC, Reginaldo Nasser, lembrou que as grandes potências mundiais, como União Soviética e Estados Unidos, apoiaram esse processo desde o início. “De lá para cá, a questão palestina foi se isolando. Nenhum governo apoia verdadeiramente a luta palestina. Isso é fato”, frisou. Por outro lado, considerou ele, o fato positivo é que a sociedade em todo o mundo tem apoiado campanhas fundamentais de solidariedade, como a de BDS (boicote, desinvestimento e sanções) a Israel. “Hoje a questão palestina é uma das mais populares no mundo”, disse. Ele chamou todos a se somarem à campanha, que se baseia no boicote ao apartheid na África do Sul nos anos 1990 e ajudou a pôr fim a esse regime.

Segundo o professor, as pessoas estão se identificando com essas causas devido à simetria de poder e pelas causas que passam a ser comuns. “No fundo, a causa palestina começa também a se articular com as outras”, ressaltou Nasser. 

“Exibir um filme no Brasil com esse significado sobre a situação da Palestina e o cerco à Gaza em um local como o Al Janiah, criado por refugiados palestinos, ao ar livre, aberto a qualquer manifestação, só vem a engrandecer essa luta”, considerou. E mais do que isso. A luta de todos os povos explorados e oprimidos no mundo, concluiu o professor da PUC. 

janiah

Jovem palestina

Rawa Sagheer, de 21 anos, veio da Síria e vive há cerca de dois anos no Brasil. Ela transmitiu a emoção com o filme e frisou que às vezes faltam palavras, as imagens já dizem tudo. “Não podemos esquecer. Esse filme mostra a luta da Palestina. Não é para ver por uma hora, depois vai para casa, esquecer tudo e dormir bem”, disse. “Temos que pensar como ajudar essas pessoas, como vamos libertar a Palestina e abrir uma porta para que todos conheçam essa luta e o que o Estado de Israel está fazendo especificamente em Gaza”, pontuou a jovem, que trabalha com cinema.