Artigo: O Daesh e o Dia do Juízo Final

seg, 04/12/2017 - 12:12

Por José Farhat

Conforme prevíamos neste espaço, poucas semanas atrás, ao comentarmos a derrota do Daesh nos países do Oriente Médio, “o governo legal da Síria e seus aliados sabem e pactuam suas atividades cientes de que não basta cortar o rabo de um ofídio venenoso, sua cabeça tem que ser esmagada e seu ninho destruído”. É lamentável porém que o governo do Egito, apesar de possuir as maiores forças armadas entre os países árabes, deixou que o Daesh continuasse ativo no Sinai.

O bárbaro ataque a uma mesquita de orientação sufista por uma organização ligada ao Daesh, causou a morte de mais de 300 pessoas, entre as quais dezenas de crianças, e ferimentos em outras centenas, que rezavam e centenas de feridos, durante a grande oração da sexta-feira.

Nos últimos quatro anos, o terrorismo reina tranquilo na Península do Sinai. De acordo com relatório do Tahrir Institute for Middle East Policy, uma organização independente sediada em Washington, nos Estados Unidos, desde julho de 2013 para cá “aproximadamente perto de um milhar de pessoas da segurança foram mortos em mais de 1.700 ataques do terrorismo através da Península egípcia do Sinai, sendo 200 mortos somente neste ano”.

O Presidente egípcio prometeu reagir com toda força, mas a realidade dos últimos anos tem demonstrado que não somente o povo está desprotegido, mas até mesmo as forças de segurança têm sido incapazes de sua autoproteção. Aqueles que passaram pelo amontoado de corpos que resultaram das bombas lançadas contra eles e dos tiros de armamento pesado, na mesquita de al-Rawda, próximo a El-Arish, em 24 de novembro de 2017 atestam a força de ação criminosa do Daesh.

O caos reinante no Sinai, não está limitado a esse território egípcio; as dezenas de milhares de mercenários, contratados através do mundo pelo Daesh dificilmente voltarão a seus países de origem e preferirão continuar a combater em outros países. Se voltarem a seus países serão provavelmente julgados e condenados.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos vem sistematicamente desenvolvendo a identificação dos combatentes estrangeiros do Daesh. Já foram identificados 18.000 de um total de aproximadamente 36.000 recrutados pela organização criminosa. Os oriundos de países ocidentais somam 6.000.

O Daesh, organização que usa o nome do Islã em vão e contraria os princípios básicos do Islã, usa uma técnica criminosa para recrutar os jovens, principalmente em países de maioria islâmica tentando convencê-los da ideia de que filiar-se ao Daesh “é a última oportunidade de engajamento no jihad antes do Dia do Julgamento”.

Se muçulmanos verdadeiros eles fossem, conheceriam o que determina o Corão a respeito de quem luta, de quem se esforça [em árabe: Yujahid]: “E quem se esforça, apenas se esforça em benefício de si mesmo. Por certo, Deus é Bastante a si mesmo, prescindindo dos mundos”.     

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Jose Farhat é cientista político, arabista e diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe .
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