Grupo Alecrim reúne crianças brasilibanesas

seg, 26/07/2010 - 12:35
No Brasil há uma grande comunidade libanesa, estimada em torno de quatro milhões de pessoas, a maioria descendentes. Também no Líbano, com o passar dos anos foi se formando uma colônia de “brasilibaneses”, estimada em cerce de 10 mil indivíduos, que inclui, claro, uma grande quantidade de crianças.

Diante desta realidade, o Conselho de Cidadãos Brasileiros em Beirute (ligado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil) deciciu apoiar a criação do Grupo Alecrim no Líbano, obtendo  do Consulado Geral e Embaixada do Brasil no Líbano e do Centro de Estudos e Culturas da America Latina da Universidade Saint-Esprit de Kaslik-CECAL-USEK amparo na divulgação da iniciativa.

O Grupo Alecrim é um projeto independente de ação internacional que surgiu em 2006. Foi idealizado por Carla Freericks, em Bruxelas, e encontrou suporte da especialista em arte e educação Katcha Osório, atuais coordenadoras internacionais. De cunho cultural infantil, apolítico, laico, não governamental e sem fins lucrativos é formado por grupos voluntários de brasileiros que moram no exterior, em diversos países, e que se reúnem periodicamente para transmitir a cultura brasileira a crianças, independentemente de sexo, raça, religião ou classe social. Seu objetivo é incentivar os costumes brasileiros entre as crianças que vivem no exterior, fomentando a cultura e a tradição do Brasil por meio de atividades lúdicas. Atualmente, o Grupo Alecrim existe em Bruxelas e Gent (Bélgica) e Cidade de Cingapura (Cingapura).

O primeiro núcleo no Líbano foi inaugurado no dia 24 de julho, em Baalbeck, cidade histórica do Vale do Bekaa, onde se localiza uma grande parte da colônia de brasileiros e descendentes. A coordenação do Alecrim-Líbano está por conta de Katcha Osorio, Roberto Khatlab, secretário executivo do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Beirute, e do coordenador mirim Eduardo. Já o Alecrim -Baalbeck é supervisionado por Marcela Zein, brasileira, casada com um libanês e professora de ginástica para crianças, adultos e terceira idade.

“O Centro Dari (Nossa Casa, em árabe) foi que cedeu espaço para que pudéssemos alojar o projeto.”, conta Khatlab. Segundo ele, o local é uma antiga casa construída de pedra num estilo tradicional libanês, cujos proprietários, Toufic El-Hosn e sua esposa Fátima Mourtada, nos anos 1920, emigraram para o Brasil, mas retornaram na velhice. “Antes de falecerem, doaram o imóvel ao orfanato de Baalbeck, que hoje é o Centro Dari. A instituição recebe crianças e adultos para diversas atividades culturais e de ensino”, explica.

O primeiro encontro do Alecrim no Líbano reuniu mais de 100 pessoas, a maioria crianças entre 3 e 8 anos.  Elas participaram de três horas de atividades que incluíram canções, brincadeiras, filmes e uma festinha com delícias brasileiras, preparadas pelas próprias mães que também estavam presentes. Compareceram à inauguração, além dos coordenadores Katcha, Roberto e Marcela, o vice-presidente da municipalidade de Baalbeck, Khaled Rifai, e o diretor do Centro Dari, Walid Assaf.

“O principal objetivo do encontro Alecrim é que todos falem a língua portuguesa. Queremos ativar a curiosidade das crianças e para isso os encontros combinam música, jogos, arte, história, geografia, ciências, teatro e gastronomia, tudo relacionado à cultrua brasileira”, diz Khatlab.

O coordenador afirma que a ideia é criar o Grupo Alecrim também em outras regiões do Líbano. “Em todos os eles pretendemos envolver as mães brasileiras como voluntarias, organizando encontros bimensais. Esta é uma forma dos brasileiros e seus descendentes no Líbano conservarem sua ligação com o país de origem, mesmo vivendo dentro da sociedade e cultura libanesas”, conclui Khatlab.

Para saber mais sobre o Grupo Alecrim:

www.alecrimbrasil.org/
Contato no Libano - alecrim.beirute@googlemail.com