Debate sobre as perspectivas para o mundo árabe encerra curso do ICArabe

ter, 03/07/2012 - 12:00

O curso “Revoluções no Mundo Árabe Islâmico: Regimes Políticos, Síria e Irã” foi encerrado na sexta-feira, dia 29, com uma mesa-redonda

Com coordenação do diretor do ICArabe Geraldo Godoy de Campos, o debate contou com as presenças do vice-presidente do instituto, Mohamed Habib, dos diretores José Farhat e Murched Taha e do professor Salem Nasser (FGV-SP – Fundação Getúlio Vargas). A coordenação-geral do curso coube a Heloisa Abreu Dib Julien.

A mesa-redonda se desenvolveu com perguntas realizadas por Godoy e pelo público. Uma delas abordou os aspectos políticos e sociais da Primavera Árabe. Para Murched, foi como se o Muro de Berlim tivesse caído novamente. “O povo árabe, principalmente o egípcio, quebrou o medo do silêncio”, ressaltou.

No entanto, Habib apontou o receio que o termo “primavera”, que lembra a chegada das flores, não corresponda à realidade. “Está mais para inverno, todos os movimentos foram controlados pelas polícias ou pelos militares dos respectivos países. Ainda temos que aguardar para ver como esse longo processo se desenvolverá.”

Para Farhat, que esteve no Egito até dois dias antes do primeiro turno das eleições, “independentemente do que ocorra daqui para a frente, o Egito nunca mais voltará a regimes impostos pelos impérios”.

Salem Nasser ressaltou que a interpretação dos acontecimentos no Oriente Médio depende de qual chave é escolhida para abrir aquele mundo, “porque há inúmeras razões dadas para a Primavera Árabe: desde a falta de pão até a geopolítica, passando pela opressão e pela vontade de fazer parte de um mercado consumidor”.

Os professores relembraram fatos passados como as guerras com Israel para mostrar o que poderia ser o futuro do Oriente Médio e salientaram que as mudanças no mundo árabe afetarão as vidas dos povos de toda a região.

 

Chaves diferentes

 

Para Nasser, “o curso evidenciou as diferentes chaves de leitura que as pessoas usam e discordâncias, às vezes, profundas, mesmo sobre a substância das coisas. Mas é a natureza do debate e é bom que haja um espaço para isso”.

Na opinião de Farhat, o curso e o debate final foram excelentes, “porque demonstraram que nem todos temos a mesma opinião a respeito de certos assuntos”. Mas ele salientou que, quando o tema é a valorização da luta árabe, não há dúvida alguma, todos são interessados.