Universidade Federal de São Paulo cria vagas na graduação para refugiados

seg, 23/12/2019 - 01:38
Publicado em:

Pessoas refugiadas, apátridas e portadoras de visto humanitário poderão, a partir janeiro de 2020, ingressar nos cursos de graduação da Universidade Federal de São Paulo por um programa de seleção específico para essa população.

O Conselho Universitário da Unifesp aprovou no último dia 13 de novembro a criação de até uma vaga adicional por curso de graduação para pessoas que se encontram no território brasileiro na situação de refúgio, através do Programa de Ingresso de Refugiados e Portadores de Visto Humanitário.

Para o ano de 2020, a universidade já anunciou 37 vagas para essa população, que deverá realizar processo seletivo específico em português e apresentar reconhecimento oficial do status de refúgio como pré-requisito obrigatório.

"Com esse quantitativo inicial de vagas oferecidas em diferentes cursos da Unifesp, sinalizamos um movimento importante de aumento no acolhimento, inclusão e democratização da nossa instituição", afirmou em nota a pró-reitora de Graduação, Isabel Hartmann de Quadros.

Além disso, a universidade promete acompanhar e acolher os estudantes que ingressarem pelo programa através da Comissão de Apoio ao Ingresso e Permanência de Refugiados.

Os estudantes ainda terão direito a requisitarem auxílio para permanência e receberão apoio no idioma, por meio de ações de programas de extensão da Unifesp, como o Memorial Digital do Refugiado (MemoRef), e outras ações da universidade.

As inscrições começam a partir das 09h do dia 02 de janeiro de 2020 e vai até às 17h do dia 15 de janeiro de 2020, e podem ser feitas através do site da instituição.

O presidente do ICArabe, Mohamed Habib, ressalta a importância da iniciativa e parabeniza a Unifesp e sua reitora Soraya Smaili, membro fundadora do ICArabe:

"Soraya Smaili, nossa colega magnífica há muito tempo, antes mesmo de ser reitora. As suas lutas em defesa das causas árabes, desde muito jovem, defendendo a causa palestina, nunca serão apagadas. Ativista no movimento “Sana’oud” foi assim que a comunidade árabe brasileira a conheceu em sua luta em defesa dos direitos palestinos. Magnífica, também foi, quando levantou a bandeira “Edward Said” e apresentou o projeto de fundação do “ICArabe”. E, finalmente, há sete anos, como magnífica dirigente máxima de uma das melhores universidades públicas brasileiras. Ela é nossa bandeira na academia brasileira, a voz dos refugiados nas universidades brasileiras, nossa querida irmã, colaboradora e apoiadora do ICArabe. Em nome do nosso Instituto da Cultura Árabe, expresso o nosso agradecimento à Unifesp pelo brilho acadêmico e pela sua inserção efetiva no debate dos temas de refugiados internacionais e a crise geopolítica do século 21.  O ICArabe expressa a admiração de todos os seus membros e dirigentes, do desempenho acadêmico de vossa universidade, como “Instituição Cidadã “ ciente e consciente de seu papel como universidade pública brasileira".

(Opera Mundi e ICArabe)