Jogadores de futebol da Síria treinam para se profissionalizar no Rio de Janeiro

sex, 07/06/2019 - 13:11
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Dois jogadores poderão fazer sua estreia no Campeonato Carioca Série B2 Sub-20 no próximo domingo, em jogo a ser realizado no estádio Alzirão, em Itaboraí, às 12h45.

Da ACNUR

O campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, e o município de Resende, no estado do Rio de Janeiro, estão unidos por um elemento especial: Pérolas Negras, clube de futebol da cidade. No início de 2018, a comissão técnica da equipe foi a Zaatari realizar uma seleção de jovens com potencial de se tornarem jogadores profissionais: os atletas que se destacassem seriam convidados para integrar a equipe. Dos 150 jovens que participaram da seletiva inicial, cinco foram selecionados: Ahmad, Hafith, Jawdat, Omar e Quais.

Dois deles, Ahmad e Hafith, já estão incritos oficialmente no Campeonato Carioca Série B2 Sub-20 e poderão entrar em campo já no próximo domino (09), no estádio Alzirão, em Itaboraí, às 12h45. O Pérolas Negras enfrentará a equipe do Bela Vista.

Com cerca de 77,4 mil habitantes, o campo de Zaatari foi criado em 2012 pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para acolher as pessoas deixaram a Síria por canta da guerra que começara um ano antes. O que começou com algumas poucas tendas é hoje um assentamento no meio da aridez de uma região desértica.

Natural da cidade Homs, Ahmad, de 17 anos, teve que deixar a Síria e partir para o país vizinho ainda antes de completar 10 anos de idade. “Antes da guerra, um time levava anualmente dez meninos para treinar no Catar. Eu fui selecionado, mas não pude ir porque foi quando a guerra começou”, disse o meio-campista, fã de Neymar.

Já Hafith é chamado de Marcelo, uma homenagem ao seu ídolo, o jogador brasileiro que atua na lateral-esquerda do Real Madrid. “Eu estou super bem aqui. A minha única dificuldade, realmente, é com o idioma, mas eu sei que vou superar esse obstáculo e que vai ficar tudo bem”, disse Hafith. O jovem é natural de Daara, cidade a cerca 13 quilômetros da fronteira com a Jordânia. O ACNUR estima que cerca de 79% dos habitantes do campo de Zaatari também tenham vindo de lá.


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