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Você está em:Home»NOTÍCIAS»Mulher»Para além das “Primaveras”, a voz da mulher árabe (muçulmana)
Mulher

Para além das “Primaveras”, a voz da mulher árabe (muçulmana)

A ideia de que as mulheres árabes ficaram “mais fortes” depois da Primavera Árabe carrega em si o equívoco de que elas foram “passivas” diante do que ocorre com elas e com sua sociedade. As mulheres não são receptoras e transmissoras passivas, pois, usam estratégias para lutar contra os estereótipos que as definem como: “emocionais”, “fracas”, “trabalhadoras”, “obedientes” e “oprimidas”.

As agendas feministas/femininas sempre existiram no Oriente Médio. No no Egito, por exemplo, temos a presença de duas líderes feministas Huda Sha´rawi (1879-1947) fundadora em 1923 da União das Feministas Egípcias (al-Ittihad al Nisa´i al-Misri) e Duriyya Shafia (1908-1975) que fundou em 1948 a União das filhas do Nilo (Ittihad Bint al-Nil).

As estruturas políticas patriarcais de países como Egito, Iêmen e Síria, entre outros, podem ter abafado grupos como esses, mas não se pode dizer que eles não existiram e existam. As mulheres sempre estiveram ligadas aos mais diversos movimentos sociais, portanto, o problema não está na “voz” dessas mulheres, mas sim, na “audição” que lhes foi negada. O que é ouvido dessas demandas? O que a Primavera Árabe fez foi dar maior visibilidade aos movimentos e reinvindicações das mulheres. A mídia internacional fez bem o serviço, mas continua colocando essas mulheres como as “submissas”, “desprotegidas”, que precisam ser salvas pelo Ocidente, como bem colocou Lila Abu-Lughod. Elas precisam ser salvas?

O Ocidente preocupar-se apenas com a “salvação de mulheres árabes muçulmanas”, para não dizer, com a “salvação de mulheres muçulmanas”, é também um discurso ocidental de olhar para essas mulheres como oprimidas pelo sistema, sem voz, sem articulação. Grupos feministas como Femen tiveram resposta à altura quando tentaram ser a “voz” das mulheres muçulmanas. “O Femen não nos representa”, responderam as muçulmanas em redes sociais. Iniciativas como Hijab Day, embora com críticas de algumas feministas islâmicas, correu o mundo e hoje encontra na maioria da muçulmanas uma forma de expressão pelo uso da vestimenta islâmica (hijab, niqab, xador).

O que o feminismo islâmico reivindica é uma ijtihad (interpretação) das fontes islâmicas (Alcorão, Suna) em que se faça uma observância aos direitos femininos. Feministas islâmicas como Fatima Mernissi e Amina Wadud, entre outras, vêm escrevendo sobre isto há algum tempo. Essas autoras muçulmanas se colocam na posição de que é na interpretação das fontes sagradas que há os equívocos.

Na Arábia Saudita, Samar Badawi enfrentou a lei e comandou um movimento com outras mulheres pelo direito de dirigir. Outras demandas coexistem em outros países, como o direto à educação, ao trabalho, a escolher o marido, o direito a não mutilação genital, que no Egito, por exemplo, chega na escala superior a 50%, embora haja uma lei estabelecida em 2008.

Deve-se apreender que o olhar orientalista leva o Ocidente sempre a estigmatizar a atuação dessas mulheres, esquecendo-se que “mulheres árabes” é um termo generalizante que diz muito pouco, por vários fatores: religiosos, econômicos, sociais, políticos etc. Não é possível definir uma única agenda, porque há várias agendas e agências sendo realizadas neste momento. É preciso olhar para cada contexto e buscar compreender as nuances dessa mulher que está desde sempre construindo a sua história.

Referências

Abu-Lughod, Lila. Do muslim women really need saving?  Anthropological relections on cultural relativism and its other. American Anthropologist, v.104. issue 3, p.783-790, 2002a.

Ferreira, Francirosy, C. B. Diálogos sobre o uso do véu (hijab): empoderamento, identidade e religiosidade. Perspectivas: Revista de Ciências Sociais (UNESP. Araraquara. Impresso), v. 43, p. 183-198, 2013.

Mernissi, Fatima. Las sultanas olvidadas: la historia silenciada de las reinas del Islam. Barcelona: El Aleph Editores, S.A., 2003.

Wadud, Amina. “Qur’an and Woman: Rereading the Sacred Text from a Woman’s Perspective”, published in March 1999.

Francirosy Ferreira é antropóloga, docente USP, FFCLRP e coordenadora do GRACIAS – Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes; http://www.antropologiaeislam.com.br/)

Artigos assinados são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a opinião do ICArabe.

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural.

🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em 🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em setembro iniciativas para comemorar os 150 anos da viagem do imperador Dom Pedro II ao Líbano, entre elas, a exposição itinerante, que contará com a apresentação da bandeira e espada de D. Pedro II, cedidas pela Casa Imperial do Brasil, além da Rota da Viagem do Imperador ao Líbano, imagens do seu diário, depoimento sobre as cidades visitadas, além de outras imagens.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.
🎭 Salamaleque em cartaz! Neste sábado, 22 de agos 🎭 Salamaleque em cartaz!

Neste sábado, 22 de agosto, às 16h, o Complexo Cultural Oswald de Andrade recebe o espetáculo “Salamaleque”, da Cia Teatral Damasco.

Fruto de cinco anos de pesquisa sobre a cultura árabe, a peça parte das cartas de amor trocadas pelos avós da atriz Valéria Arbex na década de 1930. Entre memórias, histórias de família e sabores, “Salamaleque” proporciona uma experiência teatral sensorial e intimista.

📅 22 de agosto, às 16h
📍 Complexo Cultural Oswald de Andrade
🎟️ Ingressos distribuídos 1h antes, no local (máx. 2 por pessoa).
🔞 Classificação: 14 anos
📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pel 📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) e pelo Sesc – Serviço Social do Comércio, será realizada de 2 a 8 de setembro, no CineSesc (Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo). A programação apresenta 9 filmes, todos inéditos. A abertura será no dia 2, com o filme “Calle Málaga, de Maryam Touzani.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@mostramundoarabedecinema 
@cinesescsp
📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital 📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital para editoras estrangeiras interessadas em publicar no exterior obras de autores brasileiros. 

🔗 Saiba mais em nosso site. Acesse o link disponível nos stories.

@anbanewsagency
✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçal ✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçalves e a escritora Maria Fernanda Maglio, com mediação de Yasmin Faria, no dia 20 de agosto, às 19h30.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@editoratabla
❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israe ❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israelense”, muito usada pela imprensa ocidental, não reflete a realidade da luta palestina? O que se retrata como um conflito entre os dois lados, na verdade pode ser descrito por diversas expressões:

🇵🇸 Ocupação colonial sionista
Ocupação militar israelense
Apartheid israelense
A luta palestina
A questão palestina
A colonização da Palestina

Esses e outros termos estão na plataforma “Comunicando a Palestina”, um guia gratuito para uma comunicação mais ética e responsável sobre a Palestina.

Saiba mais em nosso site: https://icarabe.org/cultura-arabe/derrubando-estereotipos-conheca-a-plataforma-comunicando-a-palestina/
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