12ª Mostra Mundo Árabe de Cinema: debate aborda o cinema revolucionário palestino

ter, 15/08/2017 - 10:13
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Como uma das últimas atividades da programação, a 12ª Mostra Mundo Árabe de Cinema promoveu, nesta segunda-feira, no Cinesesc, o debate "Arquivos e rastros do cinema palestino revolucionário”. A mostra, realizada pelo ICArabe (Instituto da Cultura Árabe) e pelo Sesc-SP (Serviço Social do Comércio de São Paulo), com o copatrocínio da CCAB (Câmara de Comércio Árabe-Brasileira), termina nesta quarta-feira, dia 16.

O debate aconteceu após a exibição de dois filmes. O primeiro foi o brasileiro “Sanaúd: voltaremos”, de Barros Freire, que trata de viagem em 1980 da delegação brasileira de políticos e representantes de movimentos que fez visita ao então presidente da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) Yasser Arafat. O segundo filme, “Fora de Quadro: Revolução até a vitória” (assista ao trailer aqui), de Mohanad Yakubi, retrata a luta armada de palestinos, de 1960 a 1980, pela libertação de suas terras das ocupações israelenses.

“Era uma composição eclética a delegação. Era uma etapa inicial de frente de libertação nacional palestina, como em outros lugares como foi na Frente Sandinista (na Nicarágua)”, lembrou Emir Mourad, um dos debatedores, editor do Blog Sanaúd e ex-secretário geral da FEPAL (Federação Árabe Palestina do Brasil).

Outro debatedor foi o dirigente do MNU (Movimento Negro Unificado), Milton Barbosa, que esteve na delegação brasileira e participou do primeiro filme. “Agora vivemos um momento difícil, o capitalismo está em uma fase de barbárie, mas sempre há esperança. O encontro com Yaser Arafat foi emocionante. Ele representa a luta, são pessoas que ficam na nossa luta e nos dão esperança”, afirmou Barbosa.

Convidado especial desta edição da Mostra, o libanês Rami Niwaha, produtor de “Fora do Quadro”, ressaltou a ligação entre palestinos e libaneses. “Eles têm uma história comum e compartilhada que é anterior à revolução palestina no Líbano. O filme foi acompanhando a transformação da imagem do palestino de vítima para lutador, como se estivessem dando mais provas de sua existência”, explicou.

O debate foi mediado pelo curador da Mostra, Geraldo Adriano Campos, que também falou sobre a imagem do palestino retratada nos filmes. “É um cinema feito por um povo que teve que lutar historicamente contra uma narrativa que afirmava a sua não existência”, declarou.

Campos ressaltou que a questão da visibilidade é central no cinema da Palestina. “Edward Said (intelectual palestino que inspirou a criação do ICArabe) dizia que, por um lado, você tem que existir visualmente e, por outro, lutar contra os estereótipos, seja como terrorista ou a vítima inofensiva que só é digna de solidariedade humanitária, como nos filmes feitos antes pela Agência de Refugiados das Nações Unidas”, analisou.

A Mostra termina nesta quarta-feira. A programação completa está no site http://www.mundoarabe2017.icarabe.org/