Mesa redonda sobre Oriente Médio atual encerra curso do ICArabe

qua, 07/07/2010 - 17:14

O curso “O Oriente Médio Árabe: passado recente e configurações atuais” foi encerrado no dia 6 de julho. O curso “O Oriente Médio Árabe: passado recente e configurações atuais”, promovido pelo ICArabe entre junho e julho, foi encerrado no último dia 6, com a realização de uma mesa redonda sobre o tema “O Oriente Médio atual: política, economia e relações comerciais, sociedade e religião”. Para debater o assunto foram convidados Michel Abdo Alaby, Rubens Hannun, Murched Taha, José Farhat e Mohamed Mostafa Habib (veja abaixo o currículo dos participantes). A aula foi aberta e gratuita para qualquer interessado e reuniu cerca de 50 pessoas.

A abertura da aula foi feita com uma fala breve de cada um dos presentes à mesa, de acordo com suas especialidade, e em seguida abriu-se espaço para peguntas da plateia. Michel Alaby fez uma resumo da atual relação comercial entre os países árabes e Brasil, enfatizando o incremente deste cenário, principalmente a partir de 2003, com a visita do presidente Lula às nações do Oriente Médio. “ Os países do oriente Médio têm diversas especificidades comerciais que o Brasil ignora, há um grande espaço a ser explorado”, disse. Ele citou ainda diferenças entre ocidentais e orientais fazerem negócio. “Eles têm um ritmo diferente e é preciso ter paciência. Trabalham muito na base da confiança e o lado religioso está sempre presente em diversos desses países, regidos pela Sharia islâmica”, explicou. Alaby lançou aos participantes da aula, como questão para debate, o desafio de ampliar e fortalecer a aproximação do Brasil com os países árabes.

Já no campo da religião, José Farhat, que ministrou duas aulas do curso, lembrou que os ocidentais usaram as diferenças religiosas para dominar e dividir o povo árabe. “As potências do século XIX patrocinaram seitas religiosas, protegendo umas e isolando outras. Isso gerou uma série de conflitos locais. Hoje no Líbano existem 18 religiões reconhecidas e cada uma domina uma esfera do poder político. Esse é o assunto que deixo para o debate”, finalizou Farhat.

Da esq. para dir. José Farhat, Michel Abdo Alaby, Rubens Hannun, Mohamed Mostafa Habib e Murched TahaMohamed Habib disse que para entender o mundo árabe é preciso olhá-lo com “olhos árábes”. Ele falou ainda sobre a falta de democracia naqueles países, o que dificulta o desenvolvimento dos mesmos em uma série de áreas, como, por exemplo, a cultural. “Mas precisamos pensar se interessa ao ocidente deixar que os países do Oriente Médio sejam democratizado. Hoje, os governos ditatoriais daquela região não trabalham a serviço de seus povos, mas a favor das grandes potências mundiais”, complementou Murched Taha.

Respondendo a uma questão da plateia, Rubens Hannun comentou os resultados do encontro da câmara árabe com o presidente Sírio, Bashir al Assad, no início de julho. “Estabelecemos uma agenda longa para ser seguida aqui e lá. A Síria está com um discurso muito prático e já criamos uma conselho empresarial que inclui os dois países”, contou ele.

A diretora Cultural do ICArabe, Soraya Smaili, também fez uma intervenção, comentando a questão que havia sido lançada no início da aula por Michel Alaby. “ Acho que para aumentar as relações entre países árabes e Brasil é necessário primeiramente haver conhecimento. O conhecimento abre portas inclusive para as relações comerciais”, afirmou. Assim, ela sugeriu que sejam feitos esforços para que haja intercâmbio prinicipalmente por meio da área educacional e científica-tecnológica.

Alunos assistem atentos Fechando o debate, Habib discorreu sobre a dificuldade do ocidente em conhecer a produção cultural árabe, que é riquíssima. “A maioria dos países passou por uma estatização da cultura e a censura é muito forte. Só pode ser produzido o que o governo permitir. Muitas vezes os governos não querem que o mundo saiba o que ocorre por lá. ”. Outro fator citado pelo professor foi a dominação cultural norte-americana por meio das produções de Hollywood. “É sabido que ali existe um projeto ideológico que implica na destruição de culturas locais”, disse.  

 

O curso

O curso “O Oriente Médio Árabe: passado recente e configurações atuais” foi ministrado por diferentes professores, de 8 de junho a 6 de julho, em São Paulo, no  Espaço Câmara Árabe, na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, às terças-feiras à noite. Alunos inscritos e o público interessado em saber sobre os assuntos tratados poderão ter acesso, em breve, no site do ICArabe (http://icarabe.provisorio.ws/cursos-icarabe) a textos, produzidos e organizados pelos próprios professores do curso.

Veja a programação do curso “O Oriente Médio Árabe: passado recente e configurações atuais”:

Aula 1 - 08/06: Dominação externa no mundo árabe: de otomanos a europeus
Profa. Dra. Arlene Clemesha
 
Aula 2 - 15/06: Formação dos estados árabes
Prof. Dr. Murched Omar Taha
 
Aula 3 - 22/06: Síria
Prof. José Farhat
 
Aula 4 - 29/06: Líbano
Prof. José Farhat
 
Aula 5 - 06/07 - Mesa-redonda - O Oriente Médio atual: política, economia, relações comerciais, sociedade e religião
Dr. Rubens Hanun
Dr. Michel Abdo Alaby
Prof. José Farhat
Profa. Dr. Mohamed Mostafa Habib
Prof. Dr. Murched Omar Taha
 
Coordenação pedagógica: Heloisa Abreu Dib Julien



Currículo dos professores participantes da mesa redonda



Michel Abdo Alaby

Formado em Economia, Administração de Empresas e Ciências Contábeis - Universidade de São Paulo (USP), em Contabilidade Pontifícia Universidade Católica (PUC)Curso de Comércio Exterior na Universidade de Dallas/USA;

Experiência em Comércio Exterior (40 anos) - em várias empresas;

Secretário-Geral e Diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Membro do Comitê Setorial de Comércio Exterior da Federação de Comércio do Estado de São Paulo;

Consultor da ONU/PNUD;

Consultor do BID; 

Membro do Conselho Consultivo da Universidade de Dallas - Curso de Comércio Exterior;

Autor dos livros “Feiras e Exposições” ; Guia Básico do Exportador – e do Guia Básico do Importador; 

Professor universitário desde 1973, tendo atuado na Universidade de São Paulo -Faculdade de Economia e Administração e Faculdades Metropolitanas Unidas – Administração de Empresas e Ciências Contábeis; Ex-Diretor da FMU;

Presidente da ALABY & Consultores Associados S/C. Ltda;

Rubens Hannun - Formado em administração de empresas e com curso de pós-graduação em metodologia de pesquisa pelo Instituto de Administração da Universidade de São Paulo.
Atualmente é Vice-Presidente de Marketing da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Cônsul Honorário da Tunísia em São Paulo e Sócio- Presidente da  H2R Marketing e Promoção Ltda.– uma empresa de consultoria e serviços de marketing.

Murched Taha - Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Itajubá mestrado,e doutorado e Livre-Docência pela Universidade Federal de São Paulo pela Universidade Federal de São Paulo, onde atua atualmente. Diretor de Relações Nacionais e Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.

José Farhat - Formado em Ciências Políticas (Université Saint Joseph - Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo). Tem cursos de extensão nas áreas de:  Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP). Tem artigos publicados sobre Política Internacional, História e Religião. Atualmente é Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo e membro do Conselho de Comércio Externo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Conselheiro Fiscal do Instituto da Cultura Árabe.

Mohamed Mostafa Habib – Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Alexandria (1964), mestre em Entomologia pela Universidade de Alexandria (1968), doutorado e pós-doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas. Foi Diretor eleito do Instituto de Biologia da UNICAMP por duas vezes e Coordenador de Relações Internacionais da UNICAMP. Atualmente é professor titular e Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UNICAMP. Vice-Presidente do Instituto da Cultura Árabe.