Em cartaz até 30 de maio, a mostra une ciência, arte e história para destacar a influência da matemática na arquitetura andalusina e reúne especialistas e convidados na abertura, em São Paulo.
Unindo ciência, arte e história, a exposição “Passeio Matemático por al-Ândalus” foi inaugurada nesta terça-feira, 14 de abril, com sucesso de público, pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) e pelo Instituto Cervantes. A mostra propõe uma experiência imersiva ao evidenciar como conceitos matemáticos estruturam a arquitetura de origem andalusina na Península Ibérica.
A abertura contou com as presenças de de Natalia Calfat, presidente do ICArabe; Daniel Gallego Arcas, diretor do Instituto Cervantes; Rabih Nasser, sócio do escritório Nasser Advogados; Delduque Martins, diretor de Projetos e Relações Institucionais da Fambras; Álvaro Martínez Sevilla, diretor científico do Projeto Passeios Matemáticos da Universidade de Granada; e Silvia Antibas, vice-presidente de Comunicação e Marketing da Câmara Árabe.
Em sua fala, Daniel Gallego Arcas afirmou que o objetivo do Instituto não é só promover a língua espanhola e as culturas hispânicas, mas também o conhecimento científico como parte do patrimônio cultural. Ressaltou que a mostra convida a revisitar o legado de Al-Andalus, um contexto histórico singular que, durante séculos, foi um dos principais pontos de transmissão do saber, além de permitir avanços significativos na matemática, na astronomia, na medicina e na filosofia, contribuindo para a construção do pensamento científico moderno e para a matemática como linguagem universal. “A exposição destaca de forma exemplar a ligação entre ciência e estética e podemos compreender como princípios matemáticos estruturam o pensamento científico e se manifestaram de forma artística e arquitetônica. É um convite à reflexão sobre a natureza do conhecimento e a importância das abordagens interdisciplinares na compreensão do mundo contemporâneo.”

Natalia Calfat contou que a motivação de trazer a exposição para o Brasil surgiu quando visitou a Casa Árabe de Madri, em 2024 e ficou impactada com a forma como o rigor científico, a estética e a filosofia árabe estavam muito bem comunicados nos grandes monumentos espanhóis.
“A exposição possui uma abordagem interdisciplinar, interativa, com workshops e aplicação prática da matemática numa linguagem acessível. É um diálogo cultural e de reconhecimento intercultural. Al-Ândalus foi e é um ambiente de produção intelectual e artística”, afirmou Natalia, acrescentando que é uma alegria trazer essa iniciativa inédita para o Brasil, em português, com potencial para outros países de língua portuguesa, com o apoio dos parceiros.
Álvaro Martínez Sevilla agradeceu ao ICArabe e ao Cervantes e salientou o prazer de dirigir a equipe formada para a exposição: “Me sinto honrado em dirigir uma equipe interdisciplinar formada por quatro matemáticos, dois historiadores de arte, um arquiteto e dois engenheiros de informática, e cinco divulgadores e comunicadores de ciência para a realização da exposição”, afirmou.
“Quando chegamos aqui, já havia essa influência árabe na América. É muito importante estar aqui e divulgar essa influência, esse entrosamento da cultura árabe com a cultura brasileira e com os outros povos que chegaram aqui”, disse Silvia Antibas. Ela explicou que a Câmara é integrada por 22 países árabes e ressaltou a influência árabe na língua portuguesa e espanhola, na arquitetura, na medicina, na ciência, na matemática e na música nas Américas.

Destacando a parceria com o Insttituto da Cultura Árabe, Delduque Martins lembrou a importância da contribuição árabe para a matemática e para tudo o que existe nos tempos atuais: “O ICArabe é nosso parceiro de longa data e tenho certeza de que isso vai continuar. Quando vemos uma exposição como essa, resgatando toda a história na Península Ibérica, percebemos a contribuição árabe que tivemos ali e para tudo o que temos hoje. Recentemente, o Artemis indo até a Lua e fazendo o retorno é contribuição da matemática. Tudo o que temos hoje em dia tem um propósito e resgatá-lo é muito importante. Toda a contribuição árabe que tivemos e temos, devemos preservar e respeitar”.
Em sua saudação, Rabih Nasser, sócio do Nasser Advogados, novo parceiro do ICArabe, afirmou que o escritório acredita que, além de prestar serviços jurídicos de qualidade, tem a missão de apoiar iniciativas culturais que contribuam para a sociedade brasileira em geral: “Fizemos questão de apoiar a exposição porque estamos tratando de um dos períodos da história mais ricos e de uma civilização que é reconhecida como referência de tolerância, de convívio e de junção cultural. O momento é oportuno para falar dessa época e dessa civilização que foi construída na Espanha. Ficamos muito felizes em apoiar e espero que gostem. É um incentivo ao ensino em geral e um compromisso que também se expressa na nossa atuação como professores na Fundação Getúlio Vargas.”

O caráter educativo da exposição foi um dos pontos frisados por Christina Queiroz: “É uma oportunidade única para o público conhecer mais sobre a matemática e a ciência que estão por trás da beleza dos monumentos de Al-Ândalus. É uma chance de falar sobre matemática e geometria a partir de uma perspectiva não ocidental. Convido todos a visitarem a exposição, que é aberta ao público de todas as idades. Teremos oficinas e visitas guiadas”.
Membro do grupo fundador do ICArabe, Soraya Smaili pontuou que a cultura andalusina é exemplo não apenas para o passado, mas também para a atualidade: “Devemos aprender com Al-Ândalus não só na matemática, mas na filosofia, na ciência, na convivência e na coexistência. A exposição é maravilhosa; temos que não apenas observá-la, mas vivê-la e existir junto com ela”.
Lygia Rocco, também membro do grupo fundador do ICArabe, enfatizou a importância da exposição para o contexto atual, destacando a relevância da cultura, da diversidade e da beleza: “A exposição está belíssima e convido todos a conhecerem esse universo islâmico na cultura da Espanha”.

A abertura da exposição foi um sucesso de público, com pessoas de todas as idades, desde estudantes até profissionais da área e amantes da cultura árabe. Um exemplo foi Lelia Maria Romero, tradutora da prosa do escritor García Lorca e ex-colaboradora do ICArabe. “Estou muito contente de estar aqui. A exposição está lindíssima. Matemática e arte têm tudo a ver. O símbolo do infinito da matemática tem tudo a ver com esses desenhos maravilhosos dos azulejos, dos tetos e das formas”, finalizou Lelia.
Os participantes também contaram com uma visita guiada pelo professor Álvaro Sevilla e assistiram a uma apresentação de música árabe.

Assista à abertura na íntegra:
