Rede integra escolas que têm refugiados

ter, 06/12/2016 - 16:05

 

Com apoio do Acnur, organização brasileira I Know My Rights lançará espaço virtual para troca de experiências entre instituições de ensino e educadores que dão aulas a crianças em refúgio.

Um projeto pretende integrar em rede virtual colégios e docentes que trabalham com refugiados para aprendizado e compartilhamento de experiências. A iniciativa é da organização não governamental I Know My Rights (IKMR), chamada em português “Eu Conheço Meus Direitos”, com apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Ainda no início de dezembro deve ser criada uma rede social privada da qual poderão participar escolas ou professores que dão aulas para crianças refugiadas, de acordo com a coordenadora da iniciativa, a psicóloga Mariana Moreira Alves.

A ideia inicial era promover encontros presenciais por zona da cidade de São Paulo, mas em função das dificuldades de deslocamento, será criada uma instância virtual. Assim, além de pessoas da capital paulista, poderão participar educadores de todo o País.

Na rede serão disponibilizados conteúdos sobre bilinguismo, normativas sobre refúgio, integração, saúde mental das crianças, entre outras abordagens para informação e formação. O espaço estará aberto aos educadores e eles poderão expor e discutir as suas experiências.

Alves afirma que a ideia é não guardar essas práticas e escutar as escolas. Os interessados em participar da rede deverão se inscrever pelo link https://goo.gl/forms/vXUpi2i6Wr3pUvuY2.

A rede fará parte de um projeto maior do IKMR, o Cidadãs do Mundo, também levado adiante pela ONG com apoio do Acnur. Esse programa, que é piloto, oferece acompanhamento pedagógico a 100 crianças refugiadas de seis a 12 anos na cidade de São Paulo, faz um diagnóstico da situação deles e famílias nas escolas, entre outras medidas.

De acordo com Alves, entre as crianças atendidas no Cidadãs do Mundo estão sírios e palestinos. A maioria dos refugiados acompanhados pela iniciativa estuda na rede pública.

O projeto é tocado por três pedagogas e uma profissional com licenciatura em Letras. Elas têm formações complementares em psicomotricidade, narração, projetos culturais e Educação Física. Voluntários também participam das atividades. Alves, a coordenadora, é mestre em Políticas de Migrações Internacionais pela Universidade de Buenos Aires e doutoranda em Neuropsicologia, com foco em Neurodesenvolvimento, Refúgio e Neuropsicologia Cultural, pela Universidade de Granada.

O trabalho com as crianças é de reforço escolar e acompanhamento pedagógico, o que vai desde a realização das tarefas de casa e estudo para prova até promoção de desenvolvimento, ensino de português e ajuda nas dificuldades de aprendizado. Alves conta que, como isso é feito em domicílio, as famílias acabam estudando e aprendendo o português com as crianças.