O Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) lança mais um verbete de sua série informativa sobre o mundo árabe, uma iniciativa que busca ampliar o conhecimento e promover uma compreensão mais aprofundada sobre sua cultura, história, religião e diversidade. Com base em informação crítica e bem fundamentada, a série contribui para combater interpretações equivocadas, estereótipos e incompreensões sobre a realidade árabe-islâmica.
Confira a lista completa de verbetes neste link.
Pérsia
Pérsia é o nome histórico da região hoje dominada pelo Irã, berço de uma das civilizações mais antigas do mundo. Desde o Império Aquemênida (século VI a.C.) até as dinastias islâmicas, a Pérsia foi uma encruzilhada geopolítica entre Mediterrâneo, Ásia Central e Índia, articulando rotas comerciais, militares e culturais.
A principal língua da região é o farsi (persa moderno), idioma indo-europeu escrito em alfabeto derivado do árabe, que serviu como língua culta e diplomática em grande parte do mundo islâmico oriental. Além da maioria persa, a Pérsia histórica abriga e influenciou diversos grupos étnicos, entre eles os curdos, povo de língua iraniana, distribuído entre Irã, Iraque, Síria e Turquia, com forte presença nas zonas montanhosas do oeste iraniano.
No campo religioso, a Pérsia foi o centro do zoroastrismo, a mais antiga religião
monoteísta/dualista conhecida, fundada por Zaratustra (Zoroastro). Baseada no culto a Ahura Mazda (primeira figura divina antropomórfica) e na oposição entre Bem e Mal, essa tradição marcou profundamente a cultura persa, deixando traços em concepções de anjo, demônio, juízo final e purificação do fogo que ecoam em outras religiões posteriores, inclusive o Islã. Após o século VII, o islamismo (sobretudo o xiismo) tornou-se majoritário, mas comunidades zoroastristas persistem até hoje.
A Pérsia é também célebre por sua literatura. Omar Khayyam (séculos XI–XII),
matemático, astrônomo e poeta, tornou-se mundialmente conhecido pelos Rubaiyat,
conjunto de quartetos poéticos que refletem sobre efemeridade da vida, vinho, amor e eticismo religioso, imortalizados em traduções para o inglês no século XIX. Já Jalal ad-Din Rumi (século XIII), místico sufi nascido no universo cultural persa, escreveu em persa obras como o Masnavi, síntese poética de filosofia, espiritualidade e amor divino, que o tornam até hoje um dos poetas mais lidos do mundo. Portanto, “Pérsia” designa não apenas um território, mas um núcleo civilizatório cuja língua, religiões, povos e poesia influenciaram vastas regiões da Eurásia.

Jorge Mortean, PhD
Possui graduações em Propaganda e Publicidade pela Fundação Armando Álvares Penteado (2004) e Geografia pela Universidade de São Paulo (2008). É mestre em Estudos Regionais do Oriente Médio pela Escola de Relações Internacionais (Academia Diplomática) do Ministério de Relações Exteriores do Irã; Bolsista do Ministério de Educação e Ciência do Irã (2012), e Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana (PPGH) da Universidade de São Paulo (2025). Tem experiência profissional acadêmica na área de Geografia, com ênfase em Geografia Política Internacional (Oriente Médio) e Relações Internacionais. Desde 2013, é membro da RIMAAL Rede de Investigação Interdisciplinaria sobre el Mundo Árabe y América Latina. Atualmente, é pesquisador afiliado do Laboratório de Geografia Política da USP (GEOPO-USP) e do Indian Ocean Studies Centre (IOWC) da McGill University (Montréal, Canadá), onde foi bolsista CAPES em um programa sanduíche (2024). Sua pesquisa tem foco na projeção geopolítica brasileira no Oceano Índico. Possui também experiências profissionais em áreas como Responsabilidade Socioambiental, Sustentabilidade Corporativa, Promoção Comercial, Marketing Global e Redação Publicitária. Fluente em inglês e espanhol; intermediário em persa (farsi) e francês; e básico em italiano. Possui publicações de cunho acadêmico em anais de congressos no Canadá, Colômbia, França e Estados Unidos.
Crédito da foto: Léo Ramos Chaves
