Curso Mundo Árabe: conjuntura atual e análise de cenários é encerrado com debate

sex, 25/11/2011 - 11:47

Após cinco encontros, terminou ontem (24/11) o curso Mundo Árabe: conjuntura atual e análise de cenários. Realizado pelo ICArabe, com coordenação geral de Heloísa Abreu Dib Julien, a atividade abordou temas como a Primavera Árabe, e as perspectivas para o Egito, Tunísia, Iêmen, Síria, Palestina e Líbia, entre outros países.

O encerramento do curso foi marcado pela mesa de reflexão de tema “A questão do árabe como OUTRO e a representação do OUTRO na cultura árabe. O papel da mídia”, com José Arbex Jr. (PUC-SP), Michel Sleiman (USP), José Farhat (USJ-Beirute e ESPM), Murched Taha (UNIFESP) e Geraldo Godoy de Campos (ESPM). Os demais encontros contaram com a participação de Mohamed Habib (UNICAMP), Salem Nasser (FGV), Reginaldo Nasser (PUC-SP) e Cristina Pecequilo (UNIFESP).

Debate

Michel Sleiman, presidente do ICArabe, iniciou sua fala revelando que a primeira tradução do clássico da literatura árabe “As mil e uma noites” começou a ser feita por Dom Pedro II. Para ele, o livro marca o ponto de partida do estranhamento moderno em relação ao mundo árabe. Na sequência, fez uma provocação à plateia, perguntando se é possível que os brasileiros olhem para o árabe sem o costumeiro êxtase.

José Arbex Jr. afirmou que a humanidade vive hoje um momento de divisão e imersão na barbárie. Segundo dados da ONU, um em cada sete seres humanos passam fome, e não faltam alimentos. Para ele, existe uma tentativa de classificação do árabe como subumano, e assim justificar agressões e ataques. Arbex traçou um paralelo com o que ocorreu com os povos originais da América Latina, dizimados pelos colonizadores, em um genocídio justificado pela explicação de que os índios não tinham alma. “O Ocidente não reconhece a humanidade dos árabes. Estamos em uma encruzilhada, ou a ordem histórica muda, ou não só os árabes correm perigo”, completou.

Para José Farhat, a divisão da humanidade em religiões favorece as companhias petrolíferas e a indústria bélica. Ele fez um resgate histórico da ocupação francesa e britânica no Oriente Médio e recordou o discurso dos colonizadores, que diziam estar ali para civilizar os povos árabes. “Eles diziam isso e só em Beirute já tínhamos três universidades”. Segundo Farhat, a teoria do choque de civilizações transformou o árabe em “outro”, exótico, ameaçador e anacrônico. “O mundo islâmico concentra todo o fanatismo que ameaça o Ocidente, segundo o próprio Ocidente”, finalizou.

Murched Taha começou sua intervenção com as questões: “Quem é o árabe?” e “Existe árabe independente?”. Em seguida, apresentou dados que demonstram que até os acontecimentos da Primavera Árabe, os países árabes permaneciam subjugados aos Estados Unidos e aos ditadores que serviam os interesses do império.

Após as falas, o público enviou suas perguntas à mesa. Entre os temas levantados estavam o crescimento da religião islâmica apesar da forma pejorativa como a religião é tratada pela mídia ocidental, o possível ataque dos EUA ao Irã, o papel da mulher árabe e as perspectivas para os países que derrubaram recentemente suas ditaduras, como o Egito, a Tunísia e a Líbia.

O encerramento contou também com um buffet árabe, oferecido pela Câmara de Comércio Árabe, que sediou o curso.