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Você está em:Home»NOTÍCIAS»Geral»Em Israel, uma tentativa de deseducar a violência
Geral

Em Israel, uma tentativa de deseducar a violência

Israelense usa a contação de histórias para debater com crianças judias e árabe-israelenses, em sessões conjuntas, o problema da ocupação e da convivência entre os dois povosShai Schwartz vive em Israel, na vila de Neve Shalom, ou – como pode ser visto no seu cartão de apresentação de ator, diretor e escritor –, também conhecida pelo seu nome árabe, Wahat al-Salem. Se a vila de Shai ganhasse seu nome português, poderíamos chamá-la de Oásis da Paz.

Neve Shalom/Wahat al-Salem é uma vila formada conjuntamente por judeus e árabe-israelenses. Ali, há um esforço educacional pela paz, pela igualdade e para que ambas as populações separadas por ações políticas governamentais encontrem alguma forma de convivência que não seja a da dominação de um pelo outro.

O israelense foi um dos palestrantes do evento, promovido pelo ItaúCultural, “Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito” e compôs a mesa 3, “A ausência do verbo brincar – crianças armadas”, ao lado de Tim Cunnigham, da organização Palhaços sem Fronteiras.

Shai lida com um dos maiores desafios dentro daquilo que se entende hoje como o conflito israelo-palestino: a educação de ambos os lados. Ele trabalha com crianças israelenses e palestinas em sessões conjuntas nas quais levanta questões e procura discutir o dia-a-dia que elas vivem dentro de suas comunidades. Nessas “brincadeiras”, tenta guiar exercícios que levem à desconstrução do ódio que é levantado pela educação dentro de Israel, que vê os árabes como monstros e inimigos a serem destruídos, e a resposta do lado palestino, um caminho natural que vê os israelenses como inevitáveis monstros opressores. “É um trabalho para que possamos criar estruturas educacionais para juntar judeus e palestinos, destruir os estereótipos que um tem do outro”.

Durante nossa conversa, Shai me corrige. Para ele, ódio não seria a palavra exata para descrever o sentimento que divide as duas populações. “Não é ódio, é raiva e medo. Vejo que um lado tem raiva do outro, um lado tem medo do outro”.

As sessões envolvem uma série de exercícios de teatro, representação e contação de histórias infantis, sempre com, como ele chama, um co-facilitador palestino. Ele explica que deve haver sempre um representante de cada lado. “A cada fim de sessão, saio com uma dor no meu peito, uma dor física. É sabido que na facilitação de grupo essa dor do grupo é sentida pelo facilitador, pois o grupo projeta seus sentimentos nele. Nesse caso, quando absorvo o que vem dos participantes, a tensão, o medo, a raiva, você sente no seu corpo. Não é seu, é deles, mas você sente e machuca. Saio exausto da oficina, completamente exausto, parece que alguém me espremeu”.

Durante a palestra que deu durante o “Antídoto”, Shai mostrou e explicou alguns dos métodos que utiliza em seu trabalho. Basicamente, ao apoiar-se na ficção, principalmente na ficção infantil, descobre na criança problemas que ela não revelaria se falasse propriamente sobre ela. O exemplo que ele contou não foi uma experiência em Israel, mas de um outro trabalho que realiza em Londres com vítimas de tortura em conflitos, principalmente africanos. “O que faço é um role-playing. Por exemplo, um dia, um garoto contou uma história e percebemos que a história do personagem principal era a sua própria história. A partir daí, dentro daquela história, fazemos um exercício para que ele represente outros papéis. Dessa forma, podemos abordar problemas sem que ele sinta-se invadido”.

Em um dessas sessões, Shai deparou-se com um garoto, que ficticiamente chamou de Mahmud. “Ele dizia assim para mim, ‘eu sou um monstro, quando tenho medo, eu sou um monstro. Mas não sou um monstro quando sou forte e tenho confiança em mim mesmo’”.

OLHOS NOS OLHOS, PODEMOS VIVER NA MESMA TERRA?

Nas sessões que realiza dentro de Israel, com judeus-israelenses e palestino-israelenses, não existe um padrão de dinâmica fixo no trabalho que Shai realiza. Na realidade, a dinâmica de cada sessão é decidida em conjunto pelos participantes, como as questões que serão abordadas, e até o idioma que será usado. “Geralmente, os palestinos falam em árabe. Mas, na verdade, quando eles se encontram, um dos assuntos que são discutidos é qual a língua em que eles conversarão, que língua eles falarão. Portanto, eles têm de encontrar uma solução, como será falado, se alguém irá traduzir, isso é uma das coisas que eles discutem até que cheguem a um acordo”.

Os assuntos que mais aparecem são coisas que os participantes escutam nas rádios e lêem nos jornais, além de coisas que escutam em suas comunidades. “Muitos estereótipos vêem à tona, muito dos jargões políticos que aparecem na mídia. Nós temos que nos livrar disso, temos que deixar isso vir à tona. Isso, eventualmente, aparece como medo, raiva, desconfiança. E nós trabalhamos através disso, conversamos, improvisamos e nos engajamos em uma pergunta: como mudamos a situação, o que podemos fazer para mudar a situação. Isso é o que tentamos fazer no diálogo”.

Não me furto de perguntar a Shai qual a possibilidade que ele enxerga de – com a experiência que tem e passa com as crianças dos dois lados, e ao enxergar as dificuldades que políticas governamentais e consensos criam – esses dois povos viverem uma vida compartilhada, coexistindo, seja em um Estado bi-nacional ou na relação entre dois Estados independentes. A resposta: “Quando vou a Londres e vejo centenas de sociedades étnicas diferentes que não entendem uma à outra, que não confiam uma na outra, mas que vivem juntos, penso que sim. Os judeus e palestinos são ambos filhos de Abraão, ambos são semitas, ambos têm vivido no Oriente Médio por um longo tempo. Eles têm muito em comum, as línguas são quase as mesmas. Você sabe que o hebraico e o árabe são línguas semíticas e que têm uma grande influência do aramaico. 80% das palavras são as mesmas. O problema é que há muitos poderes entre nós, de dentro e de fora, que não querem a paz entre os dois lados. Há políticos sem responsabilidade dos dois lados, há fundamentalistas que não querem que haja um sucesso, tanto judeus quanto islâmicos. Há pessoas no Irã e na Síria que não querem que a paz tenha sucesso. E também há os americanos, os franceses, os russos, e todos querem de alguma forma encaixar a sua própria paz”.

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural. Visa a integrar, estudar e promover as várias formas de expressão da cultura árabe, antigas e contemporâneas, e encorajar o reconhecimento de sua presença na sociedade brasileira. Está aberto à participação de todos os que acreditam ser premente assegurar o respeito às diferenças.

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural.

🎭 Salamaleque em cartaz! Neste sábado, 22 de agos 🎭 Salamaleque em cartaz!

Neste sábado, 22 de agosto, às 16h, o Complexo Cultural Oswald de Andrade recebe o espetáculo “Salamaleque”, da Cia Teatral Damasco.

Fruto de cinco anos de pesquisa sobre a cultura árabe, a peça parte das cartas de amor trocadas pelos avós da atriz Valéria Arbex na década de 1930. Entre memórias, histórias de família e sabores, “Salamaleque” proporciona uma experiência teatral sensorial e intimista.

📅 22 de agosto, às 16h
📍 Complexo Cultural Oswald de Andrade
🎟️ Ingressos distribuídos 1h antes, no local (máx. 2 por pessoa).
🔞 Classificação: 14 anos
📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pel 📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) e pelo Sesc – Serviço Social do Comércio, será realizada de 2 a 8 de setembro, no CineSesc (Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo). A programação apresenta 9 filmes, todos inéditos. A abertura será no dia 2, com o filme “Calle Málaga, de Maryam Touzani.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@mostramundoarabedecinema 
@cinesescsp
📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital 📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital para editoras estrangeiras interessadas em publicar no exterior obras de autores brasileiros. 

🔗 Saiba mais em nosso site. Acesse o link disponível nos stories.

@anbanewsagency
✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçal ✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçalves e a escritora Maria Fernanda Maglio, com mediação de Yasmin Faria, no dia 20 de agosto, às 19h30.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@editoratabla
❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israe ❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israelense”, muito usada pela imprensa ocidental, não reflete a realidade da luta palestina? O que se retrata como um conflito entre os dois lados, na verdade pode ser descrito por diversas expressões:

🇵🇸 Ocupação colonial sionista
Ocupação militar israelense
Apartheid israelense
A luta palestina
A questão palestina
A colonização da Palestina

Esses e outros termos estão na plataforma “Comunicando a Palestina”, um guia gratuito para uma comunicação mais ética e responsável sobre a Palestina.

Saiba mais em nosso site: https://icarabe.org/cultura-arabe/derrubando-estereotipos-conheca-a-plataforma-comunicando-a-palestina/
💧🌍A organização do 11º Fórum Mundial da Água abriu 💧🌍A organização do 11º Fórum Mundial da Água abriu, nesta segunda-feira, 10 de agosto, a chamada internacional para participação nas sessões do Processo Temático do evento. Profissionais, especialistas, instituições e organizações interessadas podem se inscrever até 13 de setembro para contribuir com a programação do Fórum, que será realizado de 21 a 25 de março de 2027, em Riade, na Arábia Saudita.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.
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