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Você está em:Home»Verbetes»Série de verbetes informativos sobre os árabes: por Cila Lima
Verbetes

Série de verbetes informativos sobre os árabes: por Cila Lima

O Instituto da Cultura Árabe lança mais um verbete de sua série especial dedicada à compreensão do mundo árabe. A iniciativa reúne especialistas para apresentar, de forma acessível e fundamentada, conceitos, termos e temas históricos e contemporâneos que ajudam a ampliar o olhar sobre a cultura árabe-islâmica, enfrentando simplificações e estereótipos ainda recorrentes. A cada novo conteúdo, o público é convidado a aprofundar conhecimentos, refletir criticamente e fortalecer o diálogo sobre as múltiplas contribuições dessa civilização à sociedade global.

Confira a lista completa de verbetes aqui.

Feminismo Islâmico

O autointitulado feminismo islâmico é um movimento político-religioso decolonial e transnacional, que desde os anos 80 está presente em países de maioria muçulmana e diásporas, sendo a expressão mais recente dos diversos feminismos atuantes em países do Oriente Médio.

Historicamente, os feminismos estão presente em países de contexto muçulmano desde os anos 1920, sendo resultado da intersecção da modernidade com o Islã. Como movimento organizado e independente, inicialmente sob paradigma secular e lutando pelo reconhecimento dos direitos universais da mulher e pelo fim da dominação patriarcal, sexista e misógina, esta modalidade de feminismo floresceu no Egito, em 1923, com as líderes feministas Huda Sha’rawi (1879-1947), Malak Nassef (1886-1918) e Nabawiyya Musa (1890-1951) fundando a União das Feministas Egípcias (al-Ittihad al-Nisa’i al-Misri). Este feminismo se consolidou a partir de 1948 com Duriyya Shafiq (1908-1975), ao fundar a União das Filhas do Nilo (Ittihad Bint al-Nil).

Sua entrada definitiva no cenário internacional ocorreu entre os anos de 60 e 90, período em que houve uma vertiginosa expansão do que denominamos feminismos seculares muçulmanos, no plural, pois sendo territorializados, podem também serem nomeados com as características locais, como o feminismo turco, o egípcio, o iraniano, o libanês, o sírio, o iraquiano e assim por diante. Estes devem ser diferenciados dos feminismos seculares ocidentais, na medida em que, em contextos de adesão majoritária ao Islã, mesmo sob o viés da secularização são necessariamente transpassados por questões culturais muçulmanas.

Neste contexto de expansão por todos os paises de maioria muçulmana, a feminista egípcia Nawal El Saadawi, por exemplo, fundou em 1985 a Associação de Solidariedade das Mulheres Árabes – AWSA (Jam’iyyat Tadamun al-Mar’a al-‘Arabiyya), cujo alcance político e territorial foi muito além do Cairo, formando braços em outros países da região e em comunidades árabes na Europa e EUA.

Ao mesmo tempo, em meio ao reavivar islâmico crescente dos anos 80 e 90, surgiram concomitantemente em vários países, como por exemplo, na Turquia, no Egito, no Paquistão e no Irã, um tipo de ativismo feminista atuando sob o paradigma religioso do Islã. O chamado feminismo islâmico, que atua com base na reinterpretação das fontes religiosas, por meio de práticas islâmicas como tafsir (comentários do Alcorão) e ijtihad (análise racional das fontes religiosas). Esse movimento busca suprimir as leituras ortodoxas e patriarcais sobre as fontes religiosas, no intuito de revelar possíveis direitos emancipatórios presentes nestas fontes para melhorar o status sociopolítico das mulheres muçulmanas e para uma possível reforma do Islã.

O feminismo islâmico é uma das diversas versões dos movimentos feministas decoloniais ao redor do mundo, reivindicando uma identidade única e singular ligada a sua origem religiosa islâmica. Este movimento feminista dialoga publicamente, muitas vezes se contrapondo, em termos de narrativa e de mediações discursivas, à ortodoxia islâmica, ao movimento islamista (fundamentalista islâmico) e aos feminismos seculares. Neste sentido, o feminismo islâmico dialogando com (e sobre) as mulheres muçulmanas e o seu caráter teológico e transnacional o diferencia dos feminismos seculares muçulmanos, pois enquanto ele reinterpreta as fontes religiosas islâmicas, contrapondo-se às interpretações patriarcais e misóginas, os feminismos seculares defendem a separação entre religião e Estado e atua sobre os aspectos socioeconomico e político das suas localidades, dialogando com todas as mulheres de suas regiões, inclusive com as de minoria não-muçulmana.

Atualmente, o feminismo islâmico está presente na grande maioria dos países em contextos muçulmanos e em diásporas, com destaque para teóricas acadêmicas com expressiva produção sobre a narrativa feminista islâmica e as reinterpretações das fontes religiosas islâmicas, a exemplo da filósofa libanesa Azizah Al-Hibri, da antropóloga iraniana Ziba Mir-Hosseini, e da linguista afro-estadunidense Amina Wadud.

Cila Lima é professora, mestra e doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é pós-doutoranda em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É autora dos livros Women and Islamism: the cases of Egypt and Turkey (Lambert Academic Publishing, 2013) e de Feminismo Islâmico: mediações discursivas e limites práticos (Novas Edições Acadêmicas, 2017). É editora executiva da Malala, Revista Internacional de Estudos sobre o Oriente Médio e Mundo Muçulmano.

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Equipe de Comunicação ICArabe

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural. Visa a integrar, estudar e promover as várias formas de expressão da cultura árabe, antigas e contemporâneas, e encorajar o reconhecimento de sua presença na sociedade brasileira. Está aberto à participação de todos os que acreditam ser premente assegurar o respeito às diferenças.

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O Instituto da Cultura Árabe, baseado em São Paulo, Brasil, é uma entidade civil, autônoma, laica, de caráter científico e cultural.

📽A Mostra Mundo Árabe de Cinema está chegando! Com 📽A Mostra Mundo Árabe de Cinema está chegando! Começa dia 2 de setembro. Programação em breve.

@mostramundoarabedecinema
▪️O Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) lamenta p ▪️O Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) lamenta profundamente o falecimento do artista plástico palestino Sliman Mansour, ocorrido em 24 de agosto, aos 79 anos.

🇵🇸Um dos grandes nomes da arte palestina contemporânea, Mansour dedicou sua obra à memória, à identidade, à terra e à cultura palestinas, tornando-se uma referência da resistência cultural.

▪️O ICArabe se solidariza com seus familiares, amigos e com toda a comunidade cultural palestina e árabe. Seu legado permanecerá vivo na arte e na memória da Palestina.
🙍🏿‍♀️🙍🏼‍♀️🙍🏻‍♀️O Dia Internacional da Igualdade Fe 🙍🏿‍♀️🙍🏼‍♀️🙍🏻‍♀️O Dia Internacional da Igualdade Feminina é celebrado nesta quarta-feira, 26 de agosto..
A data reconhece as conquistas das mulheres ao longo dos anos e promove debates para o alcance da igualdade de gênero.
#Repost @camaraarabebrasileira ... Novos palestran #Repost @camaraarabebrasileira
...
Novos palestrantes confirmados para a 5ª edição do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes. No dia 25 de agosto, lideranças e especialistas se reúnem em São Paulo para debater temas estratégicos, compartilhar perspectivas e ampliar as oportunidades entre o Brasil e os países árabes. Ainda dá tempo de participar presencialmente ou acompanhar a transmissão online. Inscreva-se agora pelo site do Fórum. Link na bio!
🌙 O que é o Sufismo e por que essa tradição místic 🌙 O que é o Sufismo e por que essa tradição mística é tão importante na história do Islã?

✍️ No novo verbete do ICArabe, você conhece o Sufismo (tasawwuf), uma das principais vertentes místicas do Islã, marcada pela busca da experiência direta com o divino e por diferentes práticas, tradições e caminhos espirituais.

📚 De autoria de Gisele Fonseca Chagas, o verbete também destaca a presença do Sufismo na literatura e na cultura islâmica, com nomes como Rumi e Farid al-Din Attar.

🌍 A publicação integra a série especial de verbetes do ICArabe, criada para ampliar o conhecimento sobre o mundo árabe, valorizar sua diversidade e contribuir para a desconstrução de estereótipos.

⬅️ Arraste para o lado e confira!
🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em 🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em setembro iniciativas para comemorar os 150 anos da viagem do imperador Dom Pedro II ao Líbano, entre elas, a exposição itinerante, que contará com a apresentação da bandeira e espada de D. Pedro II, cedidas pela Casa Imperial do Brasil, além da Rota da Viagem do Imperador ao Líbano, imagens do seu diário, depoimento sobre as cidades visitadas, além de outras imagens.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.
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