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Você está em:Home»ARTIGOS»As Guerras contra o Iraque
ARTIGOS

As Guerras contra o Iraque

Na véspera do dia em que o Iraque invadiu o Kuwait (2 de agosto de 1990), eu estava em Bagdá e um daqueles que os estadunidenses identificariam depois como “Cartas do Baralho” mandou um emissário a meu apartamento, no Hotel Al-Rashid, com um recado que dizia textualmente: “A Gahba disse ao Presidente que eles não tinham nada a ver com os problemas da fronteira sul e, então, meu irmão, pegue hoje o avião da Air France hoje à noite e vá para casa”. Quando cheguei a Paris o Iraque já ocupava o Kuwait.

O que disse a “Gahba” (prostituta na pronúncia iraquiana), a Embaixadora dos Estados Unidos no Iraque, April Glaspie, no dia 25 de julho de 1990, durante uma entrevista com o presidente Saddam Hussein não era a primeira mentira que os Estados Unidos aplicariam contra o Iraque. O que ela disse, vim a saber depois, foi meticulosamente gravado e foi retomado em crônicas posteriores com os autores invariavelmente afirmando que Saddam interpretara mal a fala de Glaspie, mas há dúvidas quanto a isto. O então Secretário de Estado James Baker confirmaria depois que a ordem dada à Embaixadora era precisamente aquela: informar que os Estados Unidos nada tinham a ver com problemas de fronteira entre Estados árabes.

Dias depois, no dia 31, o Pentágono seria mais franco, ao declarar em nota oficial: “Estamos fortemente engajados no apoio à autodefesa, individual ou coletiva, de nossos amigos no Golfo” . Dito isto, colocaram suas forças navais em alerta máximo.

A I Guerra do Golfo, Irã contra Iraque, terminara sem vencedor e Saddam estava com quatro problemas urgentes à sua frente: o impacto da não vitória da guerra na opinião pública, dar emprego aos 200.000 soldados desmobilizados e desempregados há três anos, a necessidade de reconstruir o país e, como sempre, seu apego a realizar o seu eterno sonho de se tornar a figura dominante da região.

A reconstrução do Iraque, que contribuiria para a solução das demais, estava dependendo da renda proporcionada pelo petróleo. Com o Kuwait excedendo em 40% a sua quota de exportação de petróleo e os Emirados Árabes Unidos em 30%, o preço do óleo baixou de US$ 18,00 o barril para US$ 11,00, deixando o Iraque apenas capaz de atender a suas despesas correntes e nada mais para investir.

O Kuwait havia escolhido o petróleo como arma para pressionar o Iraque a um acerto de suas fronteiras e a pagar a dívida de US$ 16 bilhões contraída pelo Iraque durante a guerra com o Irã. Em 30 de maio, na reunião da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em Bagdá, Saddam discursou: “Guerra é feita com soldados e o prejuízo é feito com bombas, matança e golpes atentatórios, mas também é feita às vezes por meios econômicos… Eu digo àqueles que não querem batalhar contra o Iraque que isto é, de fato, uma guerra contra o Iraque”. As palavras caíram em ouvidos moucos.

Em 31 de julho, o Iraque enviou o seu vice-presidente Izzat Ibrahim para encontrar o herdeiro do trono do Kuwait Shaikh Saad al-Sabah em Jeddah e só ouviu deste palavras duras: “Não nos ameacem. O Kuwait tem amigos muito fortes. Vocês serão obrigados a nos pagar todo o dinheiro que nos devem”.

Se os Estados Unidos fecharam os olhos ou encorajaram o Iraque a ocupar o Kuwait, fica a critério de quem interpreta os fatos e filtra as notícias dos lados envolvidos. O fato é que o governo estadunidense voltou atrás e, aliado ao Reino Unido, liderou uma coalizão que empreendeu a II Guerra do Golfo (1990-1991). Golpe de inteligência para que o Iraque ocupasse o Kuwait e, depois, retaliasse seria esperar muito da potência hegemônica. Na realidade, eles queriam dar mais força ao Iraque para contrabalançar o poder iraniano, mas o Reino Unido, Israel e conhecidos países árabes que temiam muito mais um Iraque encurralado em seus problemas, convenceram os Estados Unidos para que não se acomodassem.

Mentira leva a idiotice e a II Guerra do Golfo estancou, contrariando o interesse maior dos Estados Unidos e da coalizão que era a ocupação do Iraque. Este se tornara o objetivo. Ninguém, na realidade, queria ter à sua porta ou em sua zona de influência um dono da maior reserva de petróleo do mundo e, por isto, deveria ser subjugado. O argumento de George Herbert Walker Bush, então presidente, no entanto prevaleceu: acabar com Saddam Hussein e subjugar o Iraque seria uma oportunidade para o Irã se fortalecer.

O Iraque é um país criado pelo Império Britânico – Império da Índia, costumava dizer 10 Downing Street quando lhe interessava – já tendo desde o nascedouro problemas internos: árabes xiitas, em região petrolífera, e árabes sunitas na capital onde nada se produz exceto tramóias e fuxicos. Para complicar mais ainda e não deixar todo o petróleo nas mãos do Estado que estavam criando, os britânicos tiraram da antiga província otomana de Basra o que se tornou o Kuwait. Para influenciar os sunitas de Bagdá e o Rei que lá implantaram, trazido da Hijaz (parte da atual Arábia Saudita), adicionaram ao Estado iraquiano um pedaço do Curdistão; uma parte de um Estado a cujos representantes as potências aliadas e a sua Liga das Nações, ao final da I Guerra Mundial, haviam prometido independência, o que nunca aconteceu. Uma mentira a mais!

É importante lembrar este episódio, pois, ao final da II Guerra do Golfo, os norte-americanos que haviam prometido aos xiitas do sul e aos curdos do norte apoio pleno e total em sua rebelião contra o regime baathista, renegaram as suas promessas e deixaram que Saddam Hussein aplicasse toda a sua maldade sanguinária nas duas partes mais importantes de seu país, ao norte e ao sul, contribuindo assim para o restabelecimento de antigos problemas religiosos e raciais.

Aí já começara o atoleiro no qual se meteram os Estados Unidos, pois apesar da vitória parcial e inacabada sobre Saddam Hussein os curdos começaram a fugir através das fronteiras para se abrigarem junto aos demais curdos, principalmente aqueles dentro da fronteira turca, criando um problema com a Turquia, o segundo aliado da potência hegemônica não árabe na região.

A solução que deram: a criação de uma zona livre para os curdos no norte, estabelecimento de zonas de exclusão no norte e no sul, o patrulhamento aéreo de todo o território iraquiano, bombardeios ininterruptos e o cometimento de um crime contra a humanidade representado pelas sanções contra o Iraque, executadas pelas Nações Unidas, com orientação estadunidense, que gerou a morte de iraquianos de fome e falta de remédios e encorajou um contrabando de petróleo que em nada contribuiu para aliviar as dores do povo iraquiano, pois tudo o que se arrecadava servia para Saddam Hussein se preparar para a próxima guerra.

Não se deve esquecer que as armas biológicas e químicas que Saddam Hussein procurou desenvolver têm origem principalmente em fornecimentos norte-americanos feitos durante a Guerra Irã-Iraque. Quanto a armas nucleares, se de fato procurou desenvolver, os ataques aéreos iniciados já no governo William Clinton, a todas as instalações militares, deve ter frustrado o desejo dos iraquianos.

A próxima guerra contra o Iraque, mais uma vez baseada em mentiras, partia de argumentos totalmente falsos: o Iraque ameaçava a segurança dos Estados Unidos e dos países seus vizinhos, é responsável pelos ataques de 11 de setembro, está fabricando armas de destruição em massa, o que tornava seu desarmamento uma renovada prioridade.

Líderes mundiais, tendo o presidente francês Jacques Chirac à sua frente, tentaram convencer aos Estados Unidos e ao Reino Unido de que o governo iraquiano estava cada vez mais cooperando, porém, como sua intenção era outra, George W. Bush e seu aliado preferido Anthony Blair, deram um ultimato para que Saddam Hussein deixasse o Iraque em 48 horas. Como Saddam não atendeu, o que era de se esperar, em 20 de março de 2003, as forças da coalizão, que já estavam preparadas há muito tempo, atacaram o Iraque começando a III Guerra do Golfo.

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🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em 🇱🇧A Associação Cultural Brasil-Líbano promoverá em setembro iniciativas para comemorar os 150 anos da viagem do imperador Dom Pedro II ao Líbano, entre elas, a exposição itinerante, que contará com a apresentação da bandeira e espada de D. Pedro II, cedidas pela Casa Imperial do Brasil, além da Rota da Viagem do Imperador ao Líbano, imagens do seu diário, depoimento sobre as cidades visitadas, além de outras imagens.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.
🎭 Salamaleque em cartaz! Neste sábado, 22 de agos 🎭 Salamaleque em cartaz!

Neste sábado, 22 de agosto, às 16h, o Complexo Cultural Oswald de Andrade recebe o espetáculo “Salamaleque”, da Cia Teatral Damasco.

Fruto de cinco anos de pesquisa sobre a cultura árabe, a peça parte das cartas de amor trocadas pelos avós da atriz Valéria Arbex na década de 1930. Entre memórias, histórias de família e sabores, “Salamaleque” proporciona uma experiência teatral sensorial e intimista.

📅 22 de agosto, às 16h
📍 Complexo Cultural Oswald de Andrade
🎟️ Ingressos distribuídos 1h antes, no local (máx. 2 por pessoa).
🔞 Classificação: 14 anos
📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pel 📽A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) e pelo Sesc – Serviço Social do Comércio, será realizada de 2 a 8 de setembro, no CineSesc (Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo). A programação apresenta 9 filmes, todos inéditos. A abertura será no dia 2, com o filme “Calle Málaga, de Maryam Touzani.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@mostramundoarabedecinema 
@cinesescsp
📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital 📚 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançou edital para editoras estrangeiras interessadas em publicar no exterior obras de autores brasileiros. 

🔗 Saiba mais em nosso site. Acesse o link disponível nos stories.

@anbanewsagency
✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçal ✍️Evento reunirá a tradutora Maria Carolina Gonçalves e a escritora Maria Fernanda Maglio, com mediação de Yasmin Faria, no dia 20 de agosto, às 19h30.

🔗Saiba mais em nosso site. Link disponível nos stories.

@editoratabla
❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israe ❓ Você sabia que a expressão “conflito árabe-israelense”, muito usada pela imprensa ocidental, não reflete a realidade da luta palestina? O que se retrata como um conflito entre os dois lados, na verdade pode ser descrito por diversas expressões:

🇵🇸 Ocupação colonial sionista
Ocupação militar israelense
Apartheid israelense
A luta palestina
A questão palestina
A colonização da Palestina

Esses e outros termos estão na plataforma “Comunicando a Palestina”, um guia gratuito para uma comunicação mais ética e responsável sobre a Palestina.

Saiba mais em nosso site: https://icarabe.org/cultura-arabe/derrubando-estereotipos-conheca-a-plataforma-comunicando-a-palestina/
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